Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2013 |
Autor(a) principal: |
Araujo, Glauco Ludwig |
Orientador(a): |
Cattani, Antonio David |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Dissertação
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Não Informado pela instituição
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Palavras-chave em Inglês: |
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Link de acesso: |
http://hdl.handle.net/10183/96171
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Resumo: |
Esta dissertação analisa o perfil dos docentes universitários da rede pública federal ingressados depois de 2004, avaliando como o processo de profissionalização é impactado pelas condições de trabalho atuais e pela exigência de intensificação da produtividade científica. As transformações no trabalho dos professores universitários acompanham as mudanças na própria universidade brasileira influenciadas pelas novas configurações socioeconômicas e pela reorganização do mundo do trabalho e da produção científica. A problemática dos professores recém ingressados tem importância crescente que vai além do campo pedagógico: as condições e consequências da profissionalização não podem ser consideradas responsabilidade individual dos docentes, mas um desafio das políticas públicas. Para compreender melhor essa situação, selecionou-se o grupo de professores que ingressou na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) entre os anos de 2004 e 2011. Eles ingressaram na universidade no período posterior a aprovação da Reforma da Previdência (2003), que alterou profundamente a carreira dos servidores públicos. Este grupo continuou a aumentar após a implantação do REUNI, desde 2008, e hoje representa um terço do total de docentes da UFRGS. Tendo como método o estudo de caso, buscou-se mesclar as entrevistas semiestruturadas de orientação qualitativa realizadas com 24 docentes dessa nova geração, com outros indicadores gerais da própria UFRGS. Os eixos que compuseram essa pesquisa são complementares. Em outros termos, discutir a profissionalização docente implicou verificar uma série de indicadores (formação, carreira, salários, associativismo, etc), entre os quais se destacam as condições de trabalho e a relação com a produtividade científica. A profissionalização docente apresenta dificuldades específicas. O que é demandado dos professores (desde a qualificação permanente até o atendimento dos índices de produtividade) nem sempre condiz com as condições para execução do seu trabalho. Se, por um lado, a qualificação e o prestígio profissional têm crescido – ajudando a reforçar a atratividade para a carreira docente – por outro, as exigências laborais também aumentam. O crescente conjunto de atividades prescritas tem diminuído o espaço para o exercício da autonomia. A jornada de trabalho peculiar ao trabalho docente tem dupla face: sua flexibilidade no que tange o cumprimento da carga horária pode ser vista positivamente, mas também como ausência de controle sobre o próprio tempo, em especial quando o número de atividades que se deve desempenhar toma grandes proporções. Uma parcela considerável dos encargos não é considerada institucionalmente para o cômputo da jornada de trabalho, o que oculta o fato de que a maioria dos professores excede a carga horária para a qual prestaram concurso. Tais encargos estão relacionados a atividades que os professores assumem “voluntariamente”, de modo especial no âmbito da pesquisa científica. Puderam-se observar suas repercussões sobre a saúde dos trabalhadores, fundamentalmente o estresse decorrente desse tipo de jornada e, além disso, a dificuldade de separar a esfera profissional da pessoal. Essa invasão do trabalho na esfera domiciliar acaba gerando problemas nas relações familiares e domésticas – o que dificulta a realização de atividades que proporcionem uma vida mais cheia de sentido. |