Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2024 |
Autor(a) principal: |
Rostirolla, Gabriela Françoes |
Orientador(a): |
Vettorazzi, Janete |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Tese
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Não Informado pela instituição
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Palavras-chave em Inglês: |
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Link de acesso: |
http://hdl.handle.net/10183/284145
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Resumo: |
Introdução: O espectro da placenta acreta (EPA), também conhecido como placenta morbidamente invasiva, caracteriza-se por uma aderência anormal da placenta ao endométrio. Essa condição leva a um aumento significativo da morbimortalidade materna e fetal. A incidência de EPA vem aumentando, estando relacionada ao aumento das taxas de cesariana no Brasil. O manejo dessa condição deve ser realizado em centros de referência e com experiência em acretismo. Na maioria dos casos de EPA, opta-se pela cesariana com histerectomia, deixando-se a placenta in situ. No entanto, o tratamento conservador é uma alternativa em casos selecionados, nos quais existe o desejo de preservar a fertilidade. Dentre as medidas adjuvantes que podem ajudar os casos de EPA, a cateterização com balão endovascular das artérias hipogástricas é uma delas e pode auxiliar nesse manejo. Objetivo: Avaliar a eficácia do uso de balão endovascular em artérias hipogástricas na redução do sangramento intraoperatório durante o manejo conservador de EPA. Materiais e métodos: Foram avaliados todos os casos de EPA com manejo conservador atendidos por uma mesma equipe multidisciplinar especializada em acretismo entre os anos de 2016 e 2023, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) ou no Hospital Moinhos de Vento (HMV). Foram analisadas as principais características maternas, bem como os desfechos maternos pós-cirúrgicos. Resultados: O estudo envolveu 47 mulheres com espectro de acretismo placentário (EPA) com planejamento de cirurgia conservadora e manejadas por uma equipe multidisciplinar em dois hospitais de alta complexidade localizados no Sul do Brasil. A média de idade foi de 36,5 anos, com média de três gestações anteriores; 97,9% haviam feito pelo menos uma cesariana, 44,7% tinham histórico de aborto e 23,4% passaram por curetagem. Ainda, 74,5% das mulheres tinham duas ou mais cesarianas anteriores e 42,6% apresentavam placenta prévia. A idade gestacional na interrupção ocorreu em média com 35 semanas, e o balão arterial foi utilizado em 42,6% dos casos como medida adjuvante. Observou-se que as mulheres que usaram o balão apresentaram maior número de cesáreas anteriores e maior tempo de internação pós-operatória (mediana de 6 dias) em comparação ao grupo sem balão (mediana de 4 dias). Não houve diferença no volume total de sangramento no grupo que utilizou balão arterial, nem em sua classificação (normal, moderado e severo). Entre as 20 mulheres que fizeram uso do balão, 14 tiveram sangramento normal, 5 moderados e apenas uma teve sangramento severo. Não houve diferença significativa na necessidade de transfusão entre os grupos (42,8% usaram balão arterial e 56,3% não usaram, p=1,000). No entanto, o tempo de internação pós-operatória foi maior nas mulheres que utilizaram o balão [6,00 dias (5,25-8,00)] em comparação com as que não o utilizaram [4,00 dias (3,00-7,00), p=0,014]. Não foram observadas complicações maternas associadas diretamente ao uso do balão arterial. Conclusões: Conclui-se que o uso de balão endovascular nas artérias hipogástricas não reduz o volume de sangramento e o número de transfusões no manejo conservador do EPA em cirurgias eletivas e planejadas por equipe multidisciplinar experiente. Porém, o procedimento esteve associado a um tempo de internação prolongado e maior admissão na Unidade Intensiva de Terapia (UTI), refletindo a gravidade dos casos, o que ressalta a importância de uma seleção criteriosa e individualizada para o uso dessa intervenção. |