Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2024 |
Autor(a) principal: |
Machado, Felipe Gidiel |
Orientador(a): |
Geremia, Jeam Marcel |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Dissertação
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
eng |
Instituição de defesa: |
Não Informado pela instituição
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Palavras-chave em Inglês: |
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Link de acesso: |
http://hdl.handle.net/10183/287794
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Resumo: |
A ruptura do tendão de Aquiles (RTA) é uma lesão incapacitante. Embora o tratamento ideal permaneça controverso, as abordagens cirúrgicas são consideradas opções efetivas. No pós-operatório, os programas de reabilitação são estruturados principalmente com base na sustentação de peso e na aplicação de exercícios de membros inferiores, seguindo uma abordagem precoce (<2 semanas de pós-operatório) ou conservadora (>2 semanas de pós-operatório). Comparada à reabilitação conservadora (RC), a reabilitação precoce (RP) pode gerar maior satisfação do paciente e reduzir o tempo de retorno às atividades, sem elevar o risco de rerruptura. Entretanto, resultados divergentes em termos estruturais (massa muscular) e funcionais (capacidade de elevação do calcanhar, força de flexão plantar e amplitude de movimento) são relatados com RC versus RP. Assim, o objetivo desta dissertação é investigar os efeitos de diferentes abordagens de reabilitação pós-operatória sobre desfechos clínico-funcionais após a RTA. No Capítulo I, nosso objetivo foi avaliar criticamente revisões sistemáticas que investigaram o efeito da reabilitação pós-operatória da RTA. Foram realizadas buscas em três bancos de dados para identificar revisões sistemáticas sobre os efeitos de programas de reabilitação pós-operatória sobre desfechos clínicofuncionais. A avaliação metodológica foi conduzida com as ferramentas AMSTAR-2 e ROBIS. 192 estudos foram identificados e seis foram considerados elegíveis para inclusão. A qualidade metodológica dos estudos foi classificada como criticamente baixa (n=5) e moderada (n=1). O risco de viés foi considerado alto (n=4), incerto (n=1) e baixo (n=1). Comparada à RC, a RP pode ser aplicada com segurança, proporcionando maior satisfação do participante. Por outro lado, a RP não reduz efetivamente os prejuízos clínico-funcionais quando comparada à RC. Contudo, esses achados são provenientes de estudos com potenciais vieses, o que ressalta a necessidade de estudos com maior rigor metodológico. No Capítulo II, para entender melhor os efeitos das abordagens de reabilitação pós-operatória da RTA, realizamos uma revisão sistemática de ensaios controlados aleatorizados. Três bancos de dados foram pesquisados para identificar estudos que avaliaram os efeitos de diferentes abordagens de reabilitação pós-cirúrgica sobre desfechos clínicofuncionais. A análise metodológica foi realizada usando a escala PEDro e a ferramenta RoB-2. O relato da reabilitação foi avaliado por meio do CERT checklist. Os resultados foram sintetizados por meio de meta-análises e síntese narrativa. A certeza da evidência foi avaliada com a ferramenta GRADE. Dos 790 estudos encontrados, 20 eram elegíveis para inclusão. A qualidade metodológica dos estudos foi classificada como regular (n=7) e boa (n=13). Abordagens baseadas na RP são seguras e podem reduzir o tempo de retorno ao trabalho. Embora essas abordagens levem a melhores resultados em escalas clínico-funcionais em curto e médio prazo, em longo prazo RC e RP são similares. Diferentes abordagens de reabilitação pós-operatória não parecem atenuar os déficits funcionais após a RTA. A maioria dos estudos carece de descrições claras da intervenção, o que limita a aplicabilidade clínica e o avanço científico, pois a maioria dos programas tornam-se difíceis para implementar e replicar. Portanto, no Capítulo III, nosso objetivo foi reportar detalhadamente um programa controlado de RP após a cirurgia da RTA; e investigar os diferentes efeitos clínico-funcionais comparando a RC com a RP. Trinta e um participantes do sexo masculino foram submetidos à RC (n=14) ou à RP (n=17) após o reparo cirúrgico aberto da RTA. Os participantes foram avaliados no período de admissão da cirurgia quanto às características antropométricas e de lesão, pós operatório de 12 (P12) e 26 (P26) semanas quanto ao índice de simetria da amplitude de movimento ativa (ADM) de flexão plantar (FP) e dorsiflexão (DF), além dos escores na American Orthopaedic Foot and Ankle Society Score, Ankle-Hindfoot Scale (AOFASAHS). Não houve diferenças entre os grupos nas características antropométricas e de lesão. No P12, em comparação com o RC, o grupo RP apresentou um maior índice de simetria de PFADM e melhores resultados na AOFASAHS. Não foram encontradas diferenças entre os grupos para o índice de simetria de DFADM. Em P26, não houve diferenças entre os grupos para o índice de simetria de PFADM e DFADM, bem como na AOFASAHS. Não houve nenhuma rerruptura durante o acompanhamento. No final da reabilitação (P12), foram obtidos melhores resultados clínico-funcionais de forma segura com a RP do que com a RC. Por fim, nossos achados, sugerem um potencial terapêutico a favor de abordagens precoces em relação às tardias/conservadoras na reabilitação pós-operatória da RTA. Além disso, destaca-se a importância do controle e da descrição dos exercícios nos programas de reabilitação, bem como a necessidade de investigar estratégias complementares para auxiliar a recuperação a longo prazo. |