Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2024 |
Autor(a) principal: |
Schmitz, Mariana Felimberti |
Orientador(a): |
Machado, Roseli Belmonte |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Dissertação
|
Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Não Informado pela instituição
|
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
|
Departamento: |
Não Informado pela instituição
|
País: |
Não Informado pela instituição
|
Palavras-chave em Português: |
|
Palavras-chave em Inglês: |
|
Link de acesso: |
http://hdl.handle.net/10183/288659
|
Resumo: |
A presente dissertação objetiva problematizar como opera a queixa escolar sobre estudantes do Ensino Médio, tidos como desviantes/problemas, na escola da Contemporaneidade, considerando o que circunscreve a escolarização do Ensino Médio no cenário brasileiro, especialmente as normativas educacionais e curriculares atuais. A fim de dar conta de tal problematização, delinearam-se os seguintes objetivos específicos: compreender a produção da Queixa Escolar dentro do rol do campo psi, com interesse na interseção entre saúde e educação; identificar quais queixas escolares incidem sobre estudantes do Ensino Médio de escolas estaduais em Porto Alegre; e analisar como a escola responde aos comportamentos de estudantes do Ensino Médio considerados desviantes/problemas. Com esses propósitos, a investigação lança mão de uma análise monumental de documentos, inspirada nas teorizações de Michel Foucault, para analisar registros escolares de duas escolas estaduais situadas no município de Porto Alegre. Inspirada em uma vertente pós-estruturalista, a pesquisa ampara-se teórica e metodologicamente nos estudos foucaultianos em educação, buscando desnaturalizar as concepções vigentes a respeito dos sujeitos escolares, em especial os estudantes do Ensino Médio, uma vez que a etapa final da educação básica, como irá demonstrar o referencial teórico, tem sido objeto e alvo de diferentes interesses e disputas nas últimas décadas. As análises desta dissertação foram divididas em dois tópicos, sendo que o primeiro, intitulado “O que se chama de indisciplina no Ensino Médio? Um olhar através das lentes do poder disciplinar, vigilância e psicologização”, buscou demonstrar como a Queixa Escolar mobiliza tecnologias disciplinares e processos de psicologização, circunscrevendo uma colonização do pedagógico pela Psicologia, que parece, cada vez mais, enfatizar aspectos psicológicos dos estudantes como fundamentais ao processo educacional. O segundo tópico, denominado “Da ordem da tolerância: o que regula o tolerável e o aceitável na escola?”, aborda como o saber médico-psicológico regula o limite do aceitável na escola, especialmente em relação aos estudantes tidos como desviantes. Os achados da pesquisa, oriundos da análise das discursividades acerca de sujeitos escolares de duas escolas estaduais situadas no município de Porto Alegre, demonstram como a escola exerce poder sobre corpos e subjetividades pela via da psicologização e da medicalização e como o aparato psicológico e médico parece regular o tolerável e o aceitável dentro da escola e legitimar a presença dos estudantes que são analisados pelo exame médico-psi. Além disso, na ausência desse aparato, sustentar a presença de estudantes com condutas problemáticas na escola torna-se um desafio. Por fim, a presente dissertação inspira-se em autores contemporâneos que dialogam com os estudos foucaultianos para postular acerca da defesa de uma escola outra, ou seja, uma escola que possibilite que outras experiências de escolarização e de singularização ganhem forma e vida. |