Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2024 |
Autor(a) principal: |
Packeiser, Priscila Becker |
Orientador(a): |
Pereira, Leonardo Régis Leira |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Tese
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Não Informado pela instituição
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Palavras-chave em Inglês: |
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Link de acesso: |
http://hdl.handle.net/10183/283901
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Resumo: |
Introdução: O cenário imposto pela pandemia de COVID-19 representou um desafio significativo para as instituições de saúde e profissionais da área. Antes do advento da vacina, o aumento de internações, a escassez de suprimentos hospitalares e a limitação de recursos humanos qualificados geraram preocupação mundial. A compreensão da doença e seu impacto no uso de medicamentos é fundamental para fornecer evidências que sustentem o uso racional de medicamentos, além da revisão de protocolos, políticas de saúde e tabelas de remuneração. Objetivo: Avaliar os medicamentos utilizados e os custos do tratamento farmacológico de pacientes hospitalizados durante a primeira e segunda ondas da pandemia de COVID-19. Métodos: Realizou-se um estudo transversal com a coleta de dados de prontuários eletrônicos e registros de dispensação de medicamentos envolvendo uma amostra retrospectiva de 356 pacientes com 18 anos ou mais, que apresentaram exame de PCR positivo para COVID-19 entre 17/03/2020 a 15/09/2021 em um hospital universitário referência no Rio Grande do Sul. Pacientes com permanência inferior a 48 horas, óbito em menos de 24 horas, desistência do tratamento ou evasão foram excluídos. O desfecho de interesse foi a mortalidade, e os custos dos medicamentos foram coletados em reais e convertidos para dólares considerando a taxa de câmbio de 22 de setembro de 2021. A análise estatística foi realizada utilizando o SPSS 18.0. Resultados: Três artigos foram desenvolvidos. O primeiro compara as características clínicas e sociodemográficas dos pacientes em relação ao desfecho de óbito ou alta. Noventa e nove pacientes faleceram, e as variáveis associadas a esse desfecho incluíram idade acima de 65 anos, institucionalização, necessidade de ventilação mecânica, alto INR na admissão, necessidade de diálise e insuficiência respiratória aguda. Algumas variáveis diferiram entre as duas ondas da pandemia. O segundo artigo avaliou os medicamentos utilizados em diferentes contextos: domiciliar, ambulatorial e durante a hospitalização. Cento e vinte e quatro pacientes utilizaram algum medicamento para COVID-19 antes da internação e 255 eram usuários crônicos de medicamentos. A azitromicina foi o medicamento mais comumente utilizado e a polifarmácia foi identificada em 100 pacientes. As classes de medicamentos mais dispensadas incluíram analgésicos, corticosteróides de uso 13 sistêmico, antitrombóticos e medicamentos para transtornos relacionados ao ácido. Rivaroxabana e enoxaparina mostraram maior associação com alta hospitalar. O terceiro artigo abordou os custos dos medicamentos prescritos durante a internação, revelando um custo mediano total de tratamento farmacológico de US$ 203.76 (IIQ 25-75% US$ 73.36 – US$ 1,245.53) e um custo diário mediano de US$ 16.06 (IIQ 25-75% 8.13 - US$ 54.49) por paciente. Observou-se que homens, pacientes crônicos, aqueles que necessitaram de cuidados intensivos e os que faleceram apresentaram maiores custos. O fentanil foi o medicamento de maior consumo e impacto financeiro, enquanto bloqueadores neuromusculares e antimicrobianos contribuíram significativamente no custo total. Conclusão: Os estudos realizados para abordar a questão central desta tese avaliaram aspectos epidemiológicos, clínicos e a farmacoterapia de pacientes internados durante as duas primeiras ondas de COVID-19. As internações apresentaram diferenças demográficas e clínicas significativas entre as ondas, com alguns fatores associados ao óbito. Um terço dos pacientes que internaram já havia utilizado medicamentos anteriormente, e a maioria eram pacientes crônicos. Os medicamentos mais dispensados foram para alívio de sintomas de COVID-19, corticosteróides e profilaxia de tromboembolismo e úlceras gástricas. O uso de anticoagulantes mostrou-se associadao ao desfecho de alta. Em relação aos custos, os medicamentos impactaram significativamente os custos hospitalares, e a heterogeneidade dos dados pode ser atribuída às diferenças nos perfis clínicos e na gravidade da doença. Embora o estudo tenha sido realizado em um único centro, seus resultados podem ser extrapolados para outros contextos institucionais e geográficos, contribuindo para a revisão e atualização de procotolos, políticas públicas e tabelas de remuneração do sistema de saúde. |