Impacto da infecção secundária no paciente séptico após alta da UTI

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Cavalcanti, Taciana de Castilhos
Orientador(a): Azzolin, Karina de Oliveira
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/217863
Resumo: Introdução: A sepse é considerada uma ameaça à segurança do paciente e à saúde global. Sua incidência vem aumentando nas últimas décadas e em paralelo a responsabilidade e preocupação com a mortalidade em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A sobrevida no pós-alta hospitalar tem melhorado ao longo dos anos, no entanto, pouco tem se avaliado quanto ao retorno às atividades da vida diária dos sobreviventes, principalmente em pacientes que adquiriram uma infecção secundária durante a internação, ou seja, uma nova Infecção Relacionada à Assistência em Saúde (IRAS). Objetivo: Comparar as taxas de disfunção orgânica durante a internação na UTI dos pacientes sépticos que adquiriram e os que não adquiriram uma infecção secundária; Avaliar o impacto de uma infecção secundária adquirida durante a internação na UTI, em pacientes sépticos, após 6 meses de alta desta unidade. Método: Trata-se de um estudo de coorte aninhado a um estudo multicêntrico prospectivo intitulado “Qualidade de vida após alta da UTI”. Foram analisados todos os pacientes com diagnóstico de sepse na admissão à UTI e que tiveram alta desta unidade. Os desfechos coletados no banco de dados, de julho a novembro de 2019, foram as sequelas clínicas, como capacidade funcional e comprometimento da saúde mental: sintomas de ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), além de readmissão hospitalar e mortalidade. Resultados: Foram avaliados 522 pacientes que internaram na UTI com diagnóstico de sepse. Destes, 95 (18,2%) adquiriram infecção secundária a sepse na unidade, ou seja, IRAS. Desta amostra, 49,6% tinham idade ≥ 65 anos, 56,5% eram do sexo masculino e 80% das internações foram de pacientes clínicos. Os pacientes com infecção secundária apresentaram escores mais altos de gravidade na admissão e maior necessidade de uso de vasopressor, ventilação mecânica invasiva, terapia renal substitutiva, delirium, tempo prolongado de internação em UTI e hospitalar do que pacientes com sepse que não adquiriram nova infecção (P < 0,001). Após 6 meses de alta da UTI, sobreviventes à sepse com e sem infecção secundária apresentaram, respectivamente, decréscimo da capacidade funcional, 54,2% versus 60,5%, P = 0,456. Comprometimento de saúde mental: sintomas de ansiedade, 5,7% versus 23,2%, P = 0,058; depressão, 8,6% versus 24,5%, P = 0,096; e TEPT, 5,6% versus 15,1%, P = 0,212. A readmissão hospitalar cumulativa foi 50,5% versus 51,9%, P = 0,910. Após a alta da UTI, ainda no período de internação hospitalar, 19 (20%) pacientes com infecção secundária foram a óbito versus 47 (11%) dos pacientes sem infecção secundária, P = 0,008. Em 6 meses foram, respectivamente, 26 (27,4%) versus 106 (24,8%), P = 0,72. Conclusão: Este estudo evidencia que pacientes sépticos com infecção secundária apresentam piores desfechos intra-hospitalar, como maior necessidade de ventilação mecânica invasiva, droga vasoativa, delirium, tempo de internação e óbito. Quando comparados os sobreviventes à sepse com infecção e sem infecção secundária, 6 meses após alta da UTI, ambos apresentam resultados semelhantes quanto à capacidade funcional, comprometimento da saúde mental, readmissão hospitalar e óbito, e de acordo com esses resultados, percebe-se que o primeiro insulto da sepse é preponderante no prognóstico dos pacientes e seus desfechos.