Estudo de associação de genes da região cromossômica 10p15 com a forma clínica da hanseníase

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2018
Autor(a) principal: Camargo, Rodrigo Mendes de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/11449/153282
Resumo: A hanseníase é causada pelo Mycobacterium leprae, que infecta macrófagos e células de Schwann, gerando lesões cutâneas e comprometendo nervos periféricos. A doença se apresenta sob diferentes formas clínicas, fortemente determinadas pela resposta imune do hospedeiro, podendo ser classificada como multibacilar (MB) e paucibacilar (PB). Trata-se de uma doença complexa e estudos voltados para a relação genótipo/fenótipo têm evidenciado a participação do componente genético humano nos desfechos da doença. O gene IL2RA está localizado na região cromossômica 10p15, próximo à região 10p13 que foi previamente associada à forma PB da doença, sendo um candidato posicional e funcional para estudos de associação genética com a forma clínica da hanseníase. Este receptor, também denominado CD25, tem papel fundamental na atividade imunorregulatória exercida pelas células Tregs. O TGF-β1 é uma das principais citocinas efetoras da atividade imunorreugulatória das Tregs e está presente em maior quantidade na forma MB. O objetivo do presente trabalho é investigar a associação dos genes IL2RA e TGFB1com as formas clínicas da hanseníase. Para tanto, conduzimos um estudo de associação baseado em duas amostras caso-controles incluindo 885 casos de hanseníase: 406 casos de Rondonópolis-MT como população primária; 479 casos provenientes do Estado de São Paulo como população de replicação. Os dados de frequências nos grupos de pacientes MB e PB foram comparados por modelo de regressão logística univariada, com e sem ajuste para as co-variáveis sexo, etnia e procedência. O genótipo AA do polimorfismo rs2386841 no gene IL2RA apresentou associação com susceptibilidade para a forma PB da doença na população de Rondonópolis (OR: 4,29; IC95%: 1,57-11,6; p-valor=0,0043), mas que não foi confirmada na população do Estado de São Paulo. O alelo C do marcador rs1800470 no gene TGFB1 foi associado à forma MB da hanseníase na população de Rondonópolis (OR: 2,36; IC95%: 1,12-4,98; p=0,0238). Esta associação foi replicada na população do Estado de São Paulo (OR: 2,10; IC95%:1,07-4,11; p=0,0300). Em análise combinada das duas populações, com ajuste para a co-variável procedência, a associação desta variante foi confirmada (OR: 1,81; IC95%: 1,00-3,25; p=0,0475). Demonstramos assim, pela primeira vez, a associação dos genes IL2RA e TGFB1 com o desfecho forma clínica da hanseníase, colocando estes genes como candidatos para estudos de validação e replicação sobre a genética da forma clínica da hanseníase.