Infecção pelo sars-coronavírus-2 (SARS-CoV-2) e resposta sorológica em profissionais de saúde de unidade de transplante de células tronco-hematopoiéticas (TCTH): estudo prospectivo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Santos, Ana Claudia Ferrari dos [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11449/268980
Resumo: Os receptores de transplante de células tronco hematopoiéticas (TCTH) são submetidos a imunossupressão intensa e prolongada. Os profissionais de saúde (PAS) das unidades de transplante precisam ser testados periodicamente pela RT-PCR do SARS-CoV-2 para evitar a transmissão durante a hospitalização. Não há estudos prospectivos de vigilância de SARS CoV-2 em PAS destas unidades. Este estudo em coorte prospectivo incluiu análise periódica de sorologia e de lavado nasal (LN) para estimar a incidência cumulativa de COVID-19 em PAS da unidade de TCTH durante a pandemia, antes e após a vacinação contra a COVID-19, e para avaliar a ocorrência de COVID-19 adquirida no hospital em receptores de TCTH. Além da amostragem periódica os PAS foram interrogados diariamente quanto à presença de sintomas. Se ocorresse sintomas e/ou exposição a caso confirmado/suspeito de COVID-19 foi coletada amostra de LN. Caso positivo por RT-PCR, ficavam afastados 14 dias e retornavam ao trabalho com dois resultados negativos. A detecção do SARSCoV-2 foi realizada por RT-PCR (RealStar SARSCoV-2, Altona Diagnostics/ Alemanha) e sorologia mensal por ELISA (Anti-SARSCoV-2 ELISA, Euroimmun/ Brasil). A incidência de SARSCoV-2/COVID-19 foi estimada pela incidência cumulativa. Os participantes receberam a 1ª dose das vacinas contra a COVID-19 (Sinovac/Butantan ou Oxford/ AstraZeneca/Covishield) entre janeiro e março de 2021, e a 2ª dose entre fevereiro e junho de 2021. A efetividade vacinal (EV) foi determinada pela fórmula EV = (r0-r1) /r0 (r0 = taxa em indivíduos não vacinados; r1 = taxa em vacinados). Entre 13 de maio de 2020 e 22 de março de 2021, 109 PAS foram incluídos e a mediana de acompanhamento foi de 259 (79-309) dias. Antes da vacinação, 29 participantes com SARSCoV-2/COVID-19 foram diagnosticados em mediana de 53 dias, para incidência cumulativa de 30%. Treze casos (11,9%) foram detectados na inclusão e 16 no acompanhamento. Dos 13 participantes detectados na inclusão, 8 (30,8%) foram diagnosticados por sorologia, mostrando infecção anterior. Sete PAS abandonaram o estudo e um não foi vacinado, assim 101 PAS foram incluídos na análise pós-vacinação. Oito PAS (8%) receberam chAdOx1 (Oxford/Astrazeneca/Covishield) e 93 (92%) Sinovac (Butantan). Após a vacinação, 76/78 (97,4%) PAS suscetíveis (sem presença de anticorpos contra SARS-CoV-2) tiveram resultado positivo por sorologia, 1 (1,3%) teve resultado indeterminado e 1 (1,3%) resultado negativo após a segunda dose. No seguimento pós-vacina de mediana de153 (91-165) dias, 9 PAS adquiriram a COVID-19 e a incidência cumulativa foi de 9,7%. Três (33,35) adquiriram COVID-19 apesar da presença de anticorpos específicos contra SARS-CoV-2. Considerando apenas os susceptíveis no momento da vacinação (n=78) a taxa de COVID-19 foi de 44,8% (35/78) em não vacinados e 3,8% (3/78) nos que receberam duas doses da vacina, para uma EV de 91,5%. Não foi observada COVID-19 adquirida na unidade durante o estudo. Houve boa resposta sorológica avaliada por ELISA após a vacinação (97,4%), resultando em redução na incidência de COVID-19 de 30% para 9,7%. A pandemia de COVID-19 representou grande desafio para as unidades de TCTH. As políticas de controle da COVID-19 adotadas evitaram com sucesso a transmissão hospitalar do SARS-CoV-2 para os receptores de TCTH.