“Djubi pa dianti ku speransa bu vitória na bin”: as lutas e resistências das mulheres camponesas, a ancestralidade e a promoção da saúde na Guiné-Bissau

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Regala, Raisa Maria de Sousa [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11449/258574
Resumo: Parte-se do processo histórico ocorrido no continente africano, mais especificamente na Guiné-Bissau, com a apreensão da divisão territorial até o presente, e a suas consequências nas questões sociais, econômicas, políticas, de saúde e educação. Nesse percurso foi perceptível a compreensão dos efeitos do tráfico negreiro, escravização e colonização, na Guiné-Bissau. Mais de 500 anos da presença do homem, branco, europeu e cristão no país tem repercussão até os dias atuais. Revoltosos com a situação de exploração e com o apagamento étnico, cultural e religioso, uma parte da população guineense une-se para a libertação e independência do país. Nesse processo temos Amilcar Cabral que se destaca enquanto líder do movimento. Mas não só homens tiveram sua importância nessas atividades, pode-se destacar Titina, Teodora, Carmem, entre outras, que influenciaram no processo pré e pós libertação. As consequências dos processos violentos sofridos pela população reverberam até a atualidade, a instabilidade política e econômica através dos Golpes de Estado ou de Guerras Civis. Essas sucessões de acontecimentos fazem necessário uma ajuda – seja humanitária ou de ONG’s ou de associações – muitas buscam o desenvolvimento do país, já outras podem trazer em sua essência o neocolonialismo. Assim como o período colonial apontou o extermínio, epistemicídio e a escravização – cultural, étnica e religiosa – esse novo processo não seria diferente. Desta forma, a população local deve resistir diante de tais situações. Mas existem aquelas que traçam em suas metas o desenvolvimento local, o empoderamento das comunidades e a manutenção cultural das etnias, como é o caso da Tiniguena. Ela apoiou as comunidades para a construção da Área Marinha Protegida Comunitária (AMPC) Ilhas de UROK, onde a comunidade protege além do citado, a cultura étnica Bijagó. Dessa forma, com ajuda organizacional e financeira da Tiniguena e com a forma de vida desse povo, que tem em seu âmago a vivência em equilíbrio com a natureza, e em consonância com a sua ancestralidade, que as mulheres camponesas das Ilhas de UROK vêm construindo e trazendo a promoção da saúde, a partir das produções ricas de diversidade e sem uso de veneno, ou seja, a agroecologia, e a assim se tendo soberania alimentar, e diminuindo a insegurança alimentar tão presente na Guiné-Bissau. Os processos citados, unido à cultura e à ancestralidade dos Bijagó vem sendo possível a promoção da saúde ancestral nas Ilhas de UROK.