Uso de corantes artificiais nas rações para cães e potenciais efeitos no comportamento

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Scheibel, Suellen
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/11449/202489
Resumo: Corantes artificiais tornam os alimentos mais atrativos para os humanos, mas parecem ter pouca influência nas escolhas dos cães. Há décadas esse tipo de aditivo é suspeito de causar problemas a saúde. Logo, o objetivo desde trabalho foi levantar informações sobre a percepção dos tutores e das empresas de alimentos para animais de companhia em relação ao uso de corantes; foi avaliado o efeito do azo corante vermelho ponceau 4R sobre o comportamento de cães, assim como a preferência alimentar desta espécie em relação ao aditivo. Informações foram coletadas através de questionários on-line, um destinado aos tutores brasileiros (n= 4111) e outro a empresas produtoras de alimento para animais de companhia (n= 34). As respostas foram analisadas por meio de estatística descritiva, qui-quadrado e análise de correspondência múltipla. Para o estudo comportamental, utilizou-se doze cães da raça Beagle. Foram compostas três dietas, (controle com 0% de corante, T1 com 0,05% e o T2 com 0,20% de corante), todas com a mesma formulação, diferindo apenas na dosagem do aditivo. Por 17 dias os cães consumiram apenas a dieta controle, e após, por 21 dias receberam os tratamentos (n=4), sendo filmados durante sete horas por dia nesse período. Para o estudo da preferência, foram utilizados 20 cães de diversas raças. Os tratamentos foram organizados em três desafios, nos quais anotou-se qual dieta o cão se aproximou com o focinho primeiro e qual foi ingerida primeiro, além da mais consumida. Empregou-se o teste de modelos lineares mistos generalizados para os dados comportamentais, e para o teste de preferência utilizou-se teste de Wilcoxon-Mann-Whitney e teste t de Student, todos a 5% de probabilidade. Os resultados dos questionários mostram que 92,56% dos tutores forneciam ração aos cães e o alimento ofertado era de boa qualidade (38,56% premium e 29,75% super premium). Em relação a embalagem, 87,67% compram o alimento de sacos lacrados, mas 68,24% não seguem as recomendações da embalagem ao arraçoar os cães. Apenas uma pequena porcentagem de pessoas prefere rações com corantes (0,97%) e correlacionam-se (P<0,05) aos tutores que não souberam informar a qualidade da ração. Quase a totalidade dos tutores (96,52%) acreditam que corantes artificiais prejudicam a saúde, por isso a maioria (93,99%) optaria por ração sem corante, se esta possuir preço similar a colorida e 37,90% disseram já ter adquirido rações mais coloridas que o padrão. Alguns tutores (34,86%) presumiram que seus cães apresentaram alterações na saúde, após o consumo de alimentos com corantes. Em relação as empresas, 47,06% produzem alimentos com corantes artificiais, porém 81,25% são favoráveis a redução de corantes no alimento para animais e 85,29% acreditam que esses aditivos não têm vantagens de uso, além de causarem efeitos colaterais no organismo. Os resultados do estudo comportamental mostram que o tratamento com 0,20% do corante apresentou maior frequência (P<0,05) do comportamento coçar, e o tratamento 0,05% mostrou aumento das vocalizações e comportamentos indicativos de ansiedade. O teste da cruz elevada mostrou resultados significativos (P<0,05) para o tratamento com 0,20% do aditivo, com menor número de entrada e menor tempo em braço aberto, comportamento relacionado a ansiedade. O teste de preferência apresentou maiores frequências de escolha pelos cães para ração controle (sem corante), seguida do tratamento com 0,05% de corante para primeira ingestão e consumo (P<0,05). Conclui-se que os tutores estão evitando alimentos com corantes artificiais, por acreditarem que não fazem bem a saúde de seus cães, e as empresas se mostraram dispostas a diminuir o uso de corantes artificiais em rações e petiscos. O corante vermelho ponceau 4R causou alterações no comportamento de cães, comprometendo o bem-estar dos animais, além de ser menos apreciado por eles, em comparação ao alimento sem o corante.