A expressão do saber e do dever do falante por meio de construções modalizadoras em obras de autoajuda em espanhol para mulheres

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Silva, Amanda Tremura da [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11449/295586
Resumo: A partir de uma perspectiva funcional da linguagem (Dik 1997a; 1997b), este trabalho tem por objetivo descrever e analisar os elementos modalizadores presentes em duas obras de autoajuda de autoria feminina, escritas em língua espanhola e voltadas ao público feminino, a fim de verificar como tais elementos atuam na qualificação do saber e do dever da falante/escritora em sua estratégia de convencimento da ouvinte/leitora. Para este propósito, é adotada a classificação de modalidade proposta por Hengeveld (2004), que serve de referência para o tratamento das modalidades na Gramática Discursivo-Funcional (GDF). A modalidade, enquanto categoria semântica, insere-se dentro do Nível Representacional da GDF, incidindo sobre diferentes unidades neste nível. Esta pesquisa considera quatro dos subtipos modais propostos por Hengeveld (2004): a modalidade facultativa (relacionada a capacidades e habilidades), a modalidade deôntica (relacionada a obrigações e permissões), a modalidade epistêmica (relacionada aos conhecimentos e crenças) e a modalidade volitiva (relacionada à expressão dos desejos). Considera, ainda, os alvos possíveis da avaliação modal (participante, evento ou proposição). Além do objetivo geral, a pesquisa compreende os seguintes objetivos específicos: a) verificar como os modalizadores epistêmicos indicadores de certeza contribuem para a expressão do saber e da convicção da falante/escritora; b) verificar de que maneira os modalizadores deônticos contribuem para a expressão do dever e para a construção da autoridade da falante; c) verificar como a orientação da modalidade (participante, evento, proposição) pode interferir no (des)comprometimento da falante com relação ao conteúdo veiculado; d) verificar os efeitos de sentido provocados pela coocorrência de elementos modalizadores de domínios semânticos iguais ou diferentes. Para alcançar os objetivos propostos, são selecionados os seguintes critérios de análise: a classe gramatical a que o modalizador pertence; a pessoa gramatical e a referência do sujeito; o alvo da avaliação modal; as unidades do Nível Representacional, no modelo da GDF, que estão sob o escopo dos modalizadores; as possibilidades de coocorrência de elementos modalizadores. Os resultados obtidos no levantamento feito nas duas obras mostram que a modalidade epistêmica é a mais frequente, seguida das modalidades facultativa, deôntica e volitiva. Na análise de cada obra individualmente, os valores modais permanecem com a mesma frequência, porém com diferenças em relação aos demais critérios de análise. Na obra La mujer interior: ¿eres consciente del poder que tienes?, a maior frequência da modalidade epistêmica orientada para o evento mostra o descomprometimento da falante e o seu distanciamento, não comprometendo a sua qualificação; na obra A mi amada, o emprego de modalizadores epistêmicos orientados para a proposição é mais recorrente, acentuando o comprometimento da falante com o valor de verdade de seus enunciados. Pode-se entender esses resultados com base em duas cenografias diferentes, respectivamente: uma mãe aconselhando a filha e uma amiga conversando com outra amiga. Em relação à coocorrência modal, foi possível observar o reforço da convicção ou o reforço da dúvida (coocorrência de epistêmicos), o reforço da autoridade (coocorrência de deônticos) e a construção da convicção da falante para destacar a capacidade do ouvinte (coocorrência de epistêmicos e facultativos).