Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2020 |
Autor(a) principal: |
Castro, Gustavo Henrique Rodrigues [UNESP] |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Dissertação
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
http://hdl.handle.net/11449/204453
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Resumo: |
Este estudo se apoia nos trabalhos de Jacques Fontanille sobre os níveis de pertinência da análise semiótica, especialmente naqueles que permitem refletir sobre uma Semiótica da Cultura de base linguística e discursiva, interessada não apenas pela análise do sentido produzido por textos e discursos, mas também pelos problemas de significação que emergem de sua circulação. Desse modo, em diálogo com a obra de Gérard Genette no que se refere à noção de paratexto, analisamos os procedimentos editoriais (a prática semiótica de edição) da obra “Da poesia”, volume de poemas completos da escritora brasileira Hilda Hilst. Ao avançar sobre temas como suporte, prática, edição e (re)valoração da obra literária em perspectiva linguístico-discursiva, o trabalho se estabelece como experiência de uma semiótica da circulação de inspiração fontanilliana. O seu objetivo principal é demonstrar como a prática de edição atua na construção do que chamamos de “identidade editorial Hilda Hilst”, que não se confunde nem com uma identidade autoral (identidade global, que atravessa a obra) nem com a identidade enunciativa dos poemas (identidade local, homologável à dimensão do eu-lírico). Segundo nossa hipótese, a construção dessa identidade editorial ocorre por meio de uma estratégia marcada por outras duas práticas semióticas, que surgem, na obra, subjacentes à prática de edição: a prática da crítica, que atesta o valor literário, estético e social da obra, e a prática mercadológica, que atesta o seu valor de consumo e de venda. Nesse cenário, a prática de edição, quando orientada por uma axiologia crítico-literária, atenuaria os valores considerados polêmicos, buscando, com isso, responder a uma demanda de (re)valoração da obra de Hilst e de apagamento de sua “biografia”. Já quando orientada em função de valores de mercado, intensificaria esses mesmos aspectos polêmicos, com vistas a uma comercialização mais eficaz, considerando a “personalidade polêmica” um fator positivo para as vendas. A partir dos resultados obtidos, o trabalho demonstra que a prática de edição é um fenômeno semiótico capaz de pautar, numa dada cultura, os procedimentos de consagração de um texto literário, pois determina as modalidades de circulação de uma obra. No caso de “Da poesia”, certos discursos sobre o autor (Hilst), amplificados pelo gesto editorial, funcionam como base para a construção de uma “narrativa de vida” que serve aos objetivos de uma Editora. Vê-se, ainda, como outros recursos de edição (notas do editor, fotografias etc.) atuam, justamente, na atenuação ou na amplificação desses discursos (polêmicos) que a prática de edição retoma. Assim, levando em conta que diversas axiologias são mobilizadas no interior de um dado volume (como a artístico-literária, a crítica, a publicitária), concluímos que “valor da obra” não depende apenas de seu valor como texto literário, mas também de sua apropriação e reprodução por outras instâncias socioculturais — colocando em xeque a suposta autonomia que, historicamente, tem sido atribuída ao texto literário. |