Comportamento oportunista em contratos agroindustriais: um exame multicaso-fuzzy para o estado do Rio Grande do Sul

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2016
Autor(a) principal: Sopeña, Mauro Barcellos lattes
Orientador(a): Arbage, Alessandro Porporatti lattes
Banca de defesa: Silveira, Vicente Celestino Pires lattes, Magnago, Karine Faverzani lattes, Machado, João Armando Dessimon lattes, Viana, João Garibaldi Almeida lattes
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Outro
Programa de Pós-Graduação: Outros
Departamento: Campus Santana do Livramento
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: http://dspace.unipampa.edu.br:8080/jspui/handle/riu/3462
Resumo: A presente tese examina contratos agroindustriais selecionados para o Estado do Rio Grande do Sul. A partir do conceito williamsoniano de governança eficiente, busca-se compreender e mensurar de que forma o comportamento oportunista dos agentes se manifesta diante daquelas estruturas de governança, considerando o princípio da incompletude contratual. Para tanto, utiliza-se de métodos mistos de análise que combinam a abordagem quantitativa oriunda da lógica fuzzy, com o aporte qualitativo dos estudos multicaso. O pressuposto comportamental do oportunismo, próprio da Nova Economia Institucional, é analisado para contratos da orizicultura, fumicultura e suinocultura. Propositalmente – e a priori, os contratos são considerados, respectivamente, como clássicos, neoclássicos e bilaterais, o que corresponde à tipologia contratual definida por Oliver Williamson a partir da teoria relacional de Ian MacNeil. Ao considerar que cada modelo contratual apresenta condições estruturais próprias e distintas dos demais, a análise comparativa da ocorrência de posturas oportunistas passa a importar. Assim, as atividades agroindustriais são analisadas em termos de conformidade com os modelos teóricos, utilizando-se, para isto, controladores ou marcadores apropriados em cada estrutura de governança. O modelo fuzzy elaborado para a mensuração do fenômeno constitui-se de três categorias de análise: (a) o nível de confiança que os agentes possuem sobre a contraparte contratual, (b) as referências que possuem junto a seus pares e (c) a importância que atribuem à adoção de salvaguardas contratuais. A análise qualitativa de cada caso contém, além das entrevistas junto aos agentes, processos de observação, pesquisas documentais e visitas a entidades setoriais representativas. Registra-se, a partir da análise dos dados, uma forte correspondência entre os resultados apurados em ambos os métodos, ou seja, ambos os planos de análise apresentaram a mesma tendência acerca da postura dos agentes, o que valida, de certa forma, o modelo quantitativo proposto. Os resultados globais do trabalho demonstram ainda que um maior nível de contratualização formal, juntamente com uma maior complexidade contratual, associa-se com maior ocorrência de comportamentos oportunistas por parte dos agentes – resultado este já sugerido pela literatura, embora com escassos modelos analíticos. Nesta perspectiva, outras contribuições de ordem teórica foram possíveis, sobretudo quando o referido pressuposto comportamental foi cotejado com atributos próprios da transação. Em linhas gerais, os acordos examinados revelaram a existência de uma importante co-especificidade de avaliação e de prova em ativos, propriedade esta que está diretamente vinculada à ocorrência de oportunismo via informação assimétrica. Este achado contribui para uma análise mais realista daquelas atividades agroindustriais, além de expandir o conceito de ativos específicos. Por fim, uma especial dimensão relativa aos problemas de informação assimétrica em contratos foi detectada. A proposição decorrente sustenta-se na noção de revelação e validação da informação por parte dos agentes, questão esta que representa uma nova e importante dimensão estrutural existente para aqueles contratos.