Quantificação de biomassa e análise econômica do consórcio seringueira-cacau para geração de créditos de carbono

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2005
Autor(a) principal: Cotta, Michele Karina
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Viçosa
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.locus.ufv.br/handle/123456789/9552
Resumo: Considerando a possibilidade de projetos de florestamento e reflorestamento gerarem Certificados de Emissões Reduzidas – CERs e serem elegíveis perante o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL, o presente estudo teve como objetivos quantificar a biomassa vegetal, estimar o estoque de carbono e analisar a viabilidade econômica do consórcio seringueira (Hevea brasiliensis M. Arg) e cacau (Theobroma cacao L.) para geração de CERs. A quantificação da biomassa vegetal foi realizada nas Fazendas Reunidas Vale do Juliana, Igrapiúna, BA, onde haviam consorciadas seringueiras com 34 anos e cacaueiros com 6 anos de idade. A quantificação da biomassa arbórea foi feita através do método direto e destrutivo de 5 seringueiras e 10 cacaueiros, selecionados em uma área de 2,2 ha. A biomassa da serapilheira foi quantificada por meio da coleta do material sobre o solo. Após quantificada a biomassa seca, esta foi convertida em carbono, adotando-se o fator 0,5. A contabilização dos CERs e a análise econômica foram realizadas para uma simulação do consórcio seringueira-cacau com horizonte de planejamento de 34 anos, em que a implantação da seringueira ocorreu no primeiro ano e a do cacaueiro no quarto ano do projeto. Os critérios de avaliação econômica utilizados foram: Valor Presente Líquido – VPL, Taxa Interna de Retorno – TIR e Valor Anual Equivalente – VAE. Verificou-se que o estoque de carbono no consórcio da seringueira aos 34 anos com o cacaueiro aos 6 anos de idade foi de 91,54 tC/ha. Deste total, 84,65 tC/ha estavam estocadas na seringueira (68,41 tC/ha na parte aérea e 16,24 tC/ha nas raízes), 5,22 tC/ha no cacau (3,78 tC/ha na parte aérea e 1,44 tC/ha nas raízes) e 1,67 tC/ha na serapilheira. O estoque de carbono estimado para consórcio da seringueira aos 34 anos com o cacaueiro aos 30 anos de idade foi de 106,91 tC/ha, o que corresponde a 393 CERs/ha. A análise econômica demonstrou que: o custo de manutenção do consórcio é o mais representativo, correspondendo a 53% do custo total atualizado; o custo do projeto dos CERs, por hectare, foi equivalente a 0,6% do custo total; o consórcio é viável com e sem os CERs; e que os CERs proporcionaram um incremento de 70% no VPL. Tendo em vista os resultados encontrados, pode-se concluir que: a contribuição da seringueira no estoque total de carbono do consórcio é maior do que a do cacaueiro e a da serapilheira; o maior percentual de carbono, tanto na seringueira quanto no cacaueiro encontra-se armazenado na copa; o consórcio mostra-se uma opção economicamente viável com e sem os CERs; a inclusão dos CER’s é importante para o aumento da viabilidade econômica do consórcio e, conseqüentemente, para o desenvolvimento da atividade no país; o consórcio apresenta características favoráveis à aprovação pela Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, na modalidade de MDL, prevista no Protocolo de Kyoto.