Redes sociais, transtornos alimentares e tratamento: Implicações, limites e possibilidades

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: MORAES, Raquel Borges de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal do Triângulo Mineiro
Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação
Brasil
UFTM
Programa de Pós-Graduação em Psicologia
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://bdtd.uftm.edu.br/handle/123456789/1534
Resumo: Nos últimos anos a comunicação por meio das redes sociais ganhou maior relevância no universo virtual com números cada vez maiores de acessos e quantidades crescentes de horas em que as pessoas permanecem conectadas em seus dispositivos eletrônicos. Considerando esse fenômeno contemporâneo, a exposição prolongada às redes sociais vem sendo associada a alterações significativas nos hábitos de saúde dos usuários da internet, com impacto negativo no comportamento alimentar. Concomitantemente, os diagnósticos de transtornos alimentares (TAs) estão cada mais frequentes. Há um descompasso na literatura sobre o que os tratamentos consagrados para esses transtornos preconizam e a realidade da influência vertiginosa das novas tecnologias digitais, o que nos permite postular a hipótese de que a assistência especializada nesse campo ainda não se mostra preparada para lidar com as demandas impostas por essa nova realidade. Esse descompasso resulta em limitações nos tratamentos multidisciplinares, cujo propósito é conjugar saberes que permitam dialogar com a subjetividade no enfrentamento do sofrimento humano. O cenário institucional desta investigação é o Grupo de Assistência em Transtornos Alimentares (GRATA) do Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HC-FMRP-USP). O estudo 1 teve por objetivo compreender as implicações das redes sociais virtuais no tratamento de pessoas diagnosticadas com TAs na perspectiva dos pacientes. Foram convidados a participar homens e mulheres com diagnóstico de TAs que se encontram em tratamento regular no GRATA, participaram cinco pacientes de ambos os sexos e diferentes idades, e a coleta de dados foi realizada por meio de um grupo focal. A análise de dados foi desenvolvida a partir dos pressupostos da Análise Temática, originando três categorias temáticas: redes sociais como uma possibilidade de socialização; redes sociais e a possibilidade de um corpo moldável; e as transformações grupais das referências estéticas. Os resultados foram analisados e discutidos com a literatura específica da área, com referencial teórico psicodinâmico, as participantes relataram conflitos internos e sentimentos negativos sobre a experiência nas redes sociais que pode intensificar seus sintomas de TA, prejudicando seu tratamento. O estudo 2 teve por objetivo compreender as implicações das redes sociais virtuais no tratamento dos TAs, da perspectiva dos profissionais que atuam nessa área. Foram convidados profissionais de Medicina, Nutrição, Psicologia e Terapia Ocupacional vinculados ao serviço, incluindo profissionais contratados ou voluntários, com experiência mínima de um ano no campo dos TAs. Participaram desse estudo nove profissionais das diferentes especialidades citadas. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas aplicadas em situação individual. As entrevistas foram transcritas na íntegra e literalmente, e os dados textuais produzidos constituíram o corpora de análise e a análise dos dados também foi guiada Análise Temática. Destes resultados, três as categorias foram desenvolvidas: percepção da influência das redes sociais e incerteza de como abordá-la; falta de instrumentalização para trabalhar com o tema das redes sociais; necessidade de integração entre aspectos positivos e negativos das redes sociais no tratamento. Os resultados também foram analisados e discutidos com a literatura da área, indicando que a influência das redes sociais é majoritariamente negativa, porém observa-se a necessidade de incluí-las no tratamento, visto que faz parte da rotina de grande parte das pessoas. Espera-se que as reflexões oriundas desses estudos possam contribuir para que o distanciamento entre teoria e prática seja amenizado e que o cuidado terapêutico oferecido às pessoas com TAs possa manter-se sintonizado com as novas necessidades suscitadas pelos pacientes na contemporaneidade.