Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2019 |
Autor(a) principal: |
Fidelis, Sinara Thereza dos Santos |
Orientador(a): |
Torres, Tatiana de Lucena |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Dissertação
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Não Informado pela instituição
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Programa de Pós-Graduação: |
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Brasil
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Palavras-chave em Português: |
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Área do conhecimento CNPq: |
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Link de acesso: |
https://repositorio.ufrn.br/jspui/handle/123456789/27390
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Resumo: |
O presente estudo se debruçou sobre o lugar ocupado pelo trabalho na vida de pessoas privadas de liberdade. O trabalho é aqui entendido enquanto componente de socialização humana, sendo central na constituição dos indivíduos e exercendo uma função psicológica, por permitir a construção de sentidos e significados. Essa pesquisa está ancorada na Psicologia Social do Trabalho, uma área com orientadores epistemológicos-políticos, que entende o trabalho como uma categoria material, histórica e central, situada nas relações intersubjetivas. Trata-se de um estudo de caso descritivo, transversal e qualitativo, tendo características etnográficas e disposição de uma observação participante. O lócus do estudo foi a Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (APAC) de Macau/RN e os participantes foram 11 sujeitos em estado de privação de liberdade. Os instrumentos/técnicas utilizadas foram: entrevistas narrativas individuais, registros fotográficos e diário de campo. As temáticas das entrevistas versaram sobre os seguintes eixos: história de vida laboral, trabalho na prisão (prisão comum e APAC) e perspectivas de futuro em relação ao trabalho. As narrativas foram analisadas considerando tais eixos, sendo submetidas a análises textuais de Classificação Hierárquica Descendente (CHD) com auxílio de um software. Além das narrativas, os registros fotográficos e o diário de campo se somaram aos resultados de modo a compor uma análise global. Os resultados revelaram os seguintes atributos da relação com o trabalho no período antes do encarceramento: precária, exaustiva, limitante e marcada por sujeição. As poucas experiências foram em formato de bicos. Após a entrada na prisão comum, o contato com o trabalho continuou sendo pequeno, raro e não acessível às pessoas como um todo. Quando ele aconteceu, foi sob um regime cruel, de humilhação, com cargas horárias exaustivas, sem qualificação e sem teor profissionalizante. Com a inserção na APAC, a percepção trazida do trabalho, apesar das limitantes, é dele enquanto fonte de realização, prazer, meio de aprendizagem e instrumento terapêutico, mas sem perspectiva de continuidade no mundo extra-muros. Pós-encarceramento, os planos de futuro laboral se mostraram incertos e indeterminados, havendo uma única certeza: a de não querer voltar para a criminalidade. Para essa nova etapa da vida, os indivíduos colocam os estigmas e o baixo nível de escolaridade como grandes desafios. Com isso, o estudo esperou contribuir para a discussão em torno da relação sujeito e trabalho em contexto prisional, em situação de vulnerabilidade e fragilização social, visando repensar o ambiente prisional, assim como o papel do trabalho e das políticas públicas nesse contexto. |