Morte e vida de um pequeno centro histórico: o processo de "revitalização" do bairro da Cidade Alta, Natal/RN

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Souza, Dmetryus Targino Marques de
Orientador(a): Borges, Amadja Henrique
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Programa de Pós-Graduação: PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA E URBANISMO
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufrn.br/handle/123456789/49707
Resumo: As recentes apropriações dos espaços públicos se caracterizam enquanto exercício do Direito à Cidade ou uma tendência à virada cultural? No centro histórico de Natal, as iniciativas de apropriação dos usadores do Beco da Lama e adjacências se confrontam com as estratégias de dominação da gestão municipal. Como principal objetivo, busca-se compreender as possibilidades de tais iniciativas considerando o conflito de interesses entre os diferentes agentes atuantes, a partir do estudo sobre a relação entre as apropriações dos espaços públicos e o Direito à Cidade. Delineou-se, também: estudar a categoria de espaço em Lefebvre e sua produção; analisar o papel da cultura no processo de revitalização da Cidade Alta; identificar os conflitos entre a ordem próxima e a ordem distante no Beco da Lama e adjacências e analisar a orientação das ações dos diferentes grupos no sentido do valor de uso ou do valor de troca. Diferentes grupos, coletivos, associações privadas e poder público vêm transformando o bairro por meio de intervenções efêmeras e permanentes. Através da aliança entre empresários locais e a gestão municipal, as manifestações artísticas e culturais independentes já existentes passaram por severas restrições que comprometeram sua manutenção. As narrativas que apresentam o centro enquanto espaço “morto” revelam estratégias referentes à tendência ao processo de transformação dos centros históricos em centros de consumo por meio de uma urbanística identitária. Por outro lado, persistem os movimentos e coletivos que atuam no sentido de realizar trocas a partir da relação dos sujeitos com o espaço promovendo a identidade através de práticas cotidianas. O espaço urbano enquanto lócus da disputa entre os diferentes - onde se desvelam os conflitos que aparecem sob a forma da luta pelo espaço – também nos remete à ideia de Direito à Cidade. O culturalismo de mercado aliado às estratégias de venda da cidade por meio da produção de imagens configura o que Otília Arantes se refere como virada cultural. Por meio do desvio, as apropriações que precederam os projetos de revitalização foram capazes de reintroduzir o sentido do espaço público enquanto lócus do encontro e das diferenças, local privilegiado da vida cotidiana e do possível, de trocas que são orientadas também pelo valor de uso.