Contribuições teóricas e vivenciais de mulheres negras para a formação em psicologia na Universidade Federal do Rio Grande

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Silva, Diônvera Coelho da
Orientador(a): Accorssi, Aline
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pelotas
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Educação
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/handle/prefix/12888
Resumo: O objetivo geral deste estudo visa compreender a formação em psicologia da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) a partir das contribuições vivenciais, teóricas e epistemológicas de estudantes negras. Esta pesquisa é de caráter qualitativo, constituída por um questionário e uma entrevista semiestruturada que contém dez perguntas. A maior parte das entrevistas foram realizadas no final do ano de 2019, apenas uma entrevista foi realizada no primeiro semestre do ano de 2020. Solicitamos às pesquisandas que escolhessem os nomes fictícios a serem utilizados neste estudo, assim, elas são chamadas de Okun — que significa mar na língua Iorubá —, Celina, Girassol, Deusa — solicitou que eu escolhesse —, Kehinde — referência a Luísa Mahin —, Ryane — referência a poeta Ryane Leão — e Resistência. A escolha das pesquisandas foi realizada em razão do fato de que elas e a autora deste estudo compartilharam experiências relacionadas ao processo de formação acadêmica, o qual serviu de base para o desenvolvimento desta pesquisa. Desta forma, adotamos a perspectiva de pesquisa entre iguais e a pesquisa centrada em sujeitos que reconhecem as diferentes realidades manifestas pelos sujeitos considerados protagonistas e não objetos de estudo. Alguns desfechos desta pesquisa se referem ao fato de que as mulheres negras contestam o que está posto na academia, assim, buscam trazer outras epistemes, teorias e metodologias para o processo formativo. Dessa forma, uma dinâmica relacional se estabelece, ocorrendo o tensionamento da formação em psicologia por parte das mulheres que precisam se reafirmar diante da colonialidade presente no currículo. As mulheridades negras se descolonizam, na medida que recusam a formação que as oprime. Por conseguinte, nenhum lado permanece igual. As pesquisandas deste estudo apostam numa educação racializada, afrocentrada e descolonial que abarque a formação em psicologia. Ao adentrarem na universidade, as mulheres negras cumprem com um papel fundamental na formação em psicologia, pois elas convidam todas as pessoas que se propõem a educar e atuar profissionalmente na área a se responsabilizar pelo processo de formação e transformação das desigualdades sociais e raciais presentes na estrutura social e na formação em psicologia. Os coletivos são importantes para o enfrentamento à formação colonial. Eles são lugares seguros e de formação política e intelectual para as mulheres negras que juntas formam um espaço transgressor e de pertencimento.