A irracionalidade da razão na tomada de decisão moral

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Igansi, Luca Nogueira
Orientador(a): Chagas, Flávia Carvalho
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pelotas
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Filosofia
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/handle/prefix/15069
Resumo: Se analisará o quanto a racionalidade na agência humana se abstém de influências emocionais em diálogo com ciências empíricas através do conceito de tomada de decisão. Inicia-se com um panorama da importância da razão na racionalidade ética na história da filosofia, aprofundando-se posteriormente em teorias contemporâneas racionalistas ou dependentes de um conceito forte de razão. Estabeleceremos então as bases metodológicas filosóficas para a análise do problema a partir do naturalismo filosófico, disciplina metafilosófica que analisa o mundo de maneira científica ausente de elementos sobrenaturais. A filosofia experimental é sua subárea que dialoga e guia diretamente pesquisas na área empírica. Prosseguiremos então para as bases metodológicas interdisciplinares procurando estabelecer o estado-da-arte nas ciências da biologia evolutiva, que compreende pessoas humanas como animais com traços fisiológicos, cognitivos e genéticos selecionados a partir de contextos históricos naturais específicos; da economia comportamental, que compreende a razão do agente a tomar decisões como limitada em contraste com o viés clássico da racionalidade perfeita; da psicologia cognitiva, que compreende experimentalmente o estudo da mente humana e dos processos envolvidos em nossa cognição; e das neurociências comportamentais, que oferecem um sistema unificado destas outras disciplinas através da análise detalhada da neuroanatomia em nossas ações; utilizando “tomada de decisão” como palavrachave interdisciplinar que equivale ao problema filosófico em questão e apresentando a teoria do processo duplo como fio condutor didático para a compreensão integrada dos temas. Uma vez tendo estabelecido este paradigma metodológico geral, partimos para as evidências empíricas acerca de nossas faculdades cognitivas relacionadas à tomada de decisão, investigando desde exemplos de influência de fatores externos como nojo e fome; neuropatologias como danos cerebrais, calosotomia e psicopatia; e do preconceito como manifestado no racismo e no sexismo. Partiremos posteriormente para debater estes dados com leituras filosóficas, assim como trazer outros elaborados por filósofos experimentais. Investigamos então como se dá o processo de geração do juízo moral a nível das neurociências comportamentais, debatemos sobre o fato do desacordo moral e a ética das virtudes, sobre experimentos de pensamento clássicos sob estas novas metodologias e evidências, aprofundando-nos no debate filosófico sobre neutralidade que vem a partir dos dados sobre preconceito, para então inferir acerca da importância de intuições na deliberação moral. Por fim, realizamos um panorama geral da discussão e concluímos que, apesar da centralidade da importância de influências emocionais e inconscientes no processo deliberativo, ainda assim a razão possui um papel orientador importante – todavia apenas se entendida como uma habilidade constantemente passível de erro e necessitando de manutenção.