Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2012 |
Autor(a) principal: |
BRAGA, Fátima Lúcia Machado |
Orientador(a): |
ARRUDA, Ilma Kruze Grande de |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Tese
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal de Pernambuco
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/11992
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Resumo: |
A doença renal crônica (DRC) é caracterizada pela perda lenta, progressiva e irreversível das funções renais com envolvimento de processo inflamatório. A elevação da pressão arterial e a presença de distúrbios metabólicos são comumente encontradas nesses pacientes. A síndrome metabólica (SM), definida pela presença de, pelo menos, três dos seguintes fatores: obesidade abdominal, hipertensão, dislipidemia e intolerância à glicose, tem sido relacionada a um maior risco de DRC. Embora a relação entre SM, biomarcadores inflamatórios e DRC tenha sido estabelecida em vários estudos, o entendimento detalhado da implicação da SM e seus componentes nesse processo ainda são limitados. O objetivo deste estudo clínico foi avaliar a função renal em pacientes hipertensos, portadores de SM, acompanhados na Clínica de Hipertensão Arterial / Hospital das Clínicas / Universidade Federal de Pernambuco. Os resultados são apresentados na forma de artigos de divulgação científica. Foram elaborados dois artigos originais, descrevendo o perfil socioeconômico, clínico, antropométrico, bioquímico e hematológico desses pacientes, bem como investigada a associação entre SM, fatores associados e marcadores inflamatórios, com o deficit da função glomerular (DFG). Este estudo transversal envolveu 1273 indivíduos adultos hipertensos, 931 mulheres e 342 homens, divididos em dois grupos, com DFG (n=1.052) e sem DFG (n=221), diagnosticados pela classificação da DRC, segundo as diretrizes da National Kidney Foundation, utilizando aequação Modification of Diet in the Renal Disease. A SM foi definida de acordo com os critérios da International Diabetes Federation. A regressão de Poisson foi utilizada para determinar as variáveis de interesse para a DRC e a razão de chances para determinar a possibilidade de ocorrência da DRC diante da SM e alterações dos marcadores inflamatórios estudados: proteína C-reativa ultrassensível (PCRus), velocidade de emossedimentação (VHS) e relação neutrófilos/linfócitos (R N/L). Foi observada uma associação entre variáveis demográficas e socioeconômicas com a DRC. A razão de prevalência (RP) foi de 1.07 [Intervalo de Confiança (IC95%) 1.01-1.14], 1.22 (IC95% 1.16-1.28), e 1.10 (IC95% 1.04-1.17), para mulheres, idade ≥ 60 anos e escolaridade < 1ºgrau, respectivamente. Entre as variáveis clínicas foi encontrada associação com o estágio três da hipertensão (RP=1.09, IC95% 1.04- 1.16), hipertensão sistólica isolada (RP=1.15, IC95% 1.06-1.24) e hipertrofia ventricular esquerda (RP=1.07, IC95% 1.02-1.12). Entre as variáveis bioquímicas, somente o colesterol total elevado (RP=1.09, IC95% 1.02-1.15), o colesterol lipoproteína de alta densidade (C-HDL) baixo (RP=1.07, IC95% 1.02-1.12) e o ácido úrico elevado (RP=1.25, IC95% 1.21-1.30) mostraram associação significativa com a DRC. No modelo de regressão, das doze variáveis testadas, o ácido úrico elevado (RP ajustada=1.23), a idade ≥ 60 anos (RP ajustada=1.21) e o sexo feminino (RP ajustada=1.11) permaneceram independentemente associados à DRC. A análise bivariada incluindo os marcadores inflamatórios revelou associação com DRC: PCRus (RP=1.72, IC95% 1.57-1.88), VHS (RP=1.52, IC95% 1.42-1.64) e R-N/L (RP=1.57, IC95% 1.46- 1.69). No modelo de regressão correspondente, constituído de 10 variáveis (p ≤ 0.20), verificou-se que três variáveis permaneceram independentemente associadas à DRC: SM (RP ajustada=1.09), PCRus (RP ajustada=1.54) e VHS (RP ajustada=1.20). Os achados evidenciaram uma associação da DRC com o ácido úrico (alto risco), idade ≥ 60 anos, sexo feminino, PCRus (alto risco), VHS e SM. |