Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2023 |
Autor(a) principal: |
JESUS, Giselle Silvestre de |
Orientador(a): |
LAURENDON, Candy Estelle Marques |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Dissertação
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal de Pernambuco
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Programa de Pós-Graduação: |
Programa de Pos Graduacao em Psicologia Cognitiva
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Brasil
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/52113
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Resumo: |
Frente ao contexto pandêmico de COVID-19, as universidades brasileiras instituíram o “Ensino Remoto Emergencial”, caracterizado por atividades de ensino-aprendizagem mediadas predominantemente por tecnologias digitais. Este período provocou desafios ao processo educacional, devido às dificuldades enfrentadas por professores e estudantes na utilização das plataformas digitais. A inclusão educacional de pessoas cegas é relevante diante desse cenário, pois estas comumente se encontram em posição desigual de acesso ao ensino superior. Segundo a perspectiva histórico-cultural de Vigotski, processos de aprendizagem e desenvolvimento são mediados por instrumentos e signos que, no caso de estudantes cegos, devem ser adaptados através de vias alternativas à visão e da reestruturação do contexto educacional, possibilitando a compensação social da deficiência. A mediação docente também deve possibilitar a emergência e manutenção de Zonas de Desenvolvimento Proximal (ZDP), garantindo o avanço dos conhecimentos apropriados pelos educandos. O presente trabalho teve como objetivo investigar como instrumentos e signos foram desenvolvidos e adaptados no processo de ensino- aprendizagem com estudantes cegos em contexto de ensino superior remoto, bem como no posterior cenário de retorno à modalidade presencial. Realizou-se um estudo qualitativo exploratório, do tipo estudo de casos múltiplos, com três graduandas cegas e três docentes dos cursos de Música, Nutrição e Pedagogia da Universidade Federal de Pernambuco. O percurso metodológico consistiu na realização de entrevistas semiestruturadas e observações de aulas gravadas durante o período remoto, sendo dividido em quatro momentos: entrevista inicial com as estudantes; entrevista com as professoras; observação e análise das aulas gravadas a partir de roteiro previamente construído; e entrevista final com as estudantes, a fim de questioná-las sobre sequências relevantes retiradas das aulas observadas. Os dados foram analisados com base na construção de Núcleos de Significação, método que permite a aproximação com as determinações sociais e históricas, a partir da apreensão das significações constituídas pelas próprias participantes. Os resultados apontam que a trajetória escolar das estudantes foi marcada pela exclusão e falta de acessibilidade, o que provocou lacunas de aprendizagem na graduação. As vulnerabilidades sociais e financeiras foram ampliadas durante a pandemia, principalmente por causa da impossibilidade de acesso a materiais táteis e a necessidade de uso de aparelhos eletrônicos e tecnologias digitais. Quanto aos instrumentos e signos, o ensino remoto foi mediado principalmente pelas ferramentas Google Meet e Google Classroom, uso de textos digitalizados, leitores de tela e aplicativos específicos de computador. O recurso da audiodescrição foi predominante para garantir o acesso a representações visuais. A ausência de adaptações didático-pedagógicas durante as aulas síncronas foi o principal empecilho apontado pelas estudantes, enquanto que o auxílio de colegas, dos ledores e de alguns docentes foram importantes mediadores do processo de ensino-aprendizagem, promovendo possíveis ZDP. Conclui-se que parte das dificuldades enfrentadas durante a pandemia já existiam anteriormente no ensino presencial e que as lacunas de acessibilidade foram, muitas vezes, supridas pelo auxílio de outros - demonstrando o processo de compensação social - ou por estratégias individuais desenvolvidas pelas próprias participantes, revelando a necessidade de formação continuada, investimento e diálogo para garantir a efetiva inclusão de estudantes cegos no ensino superior. |