Carnaval do Recife e imperativo do gozo: a mercadorização da cultura à luz dos discursos lacanianos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2016
Autor(a) principal: GAIÃO, Brunno Fernandes da Silva
Orientador(a): LEÃO, André Luiz Maranhão de Souza
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pos Graduacao em Administracao
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/18946
Resumo: Cada vez mais a cultura popular passa a ser regida por uma lógica de mercado. Manifestações culturais são resignificadas e oferecidas como produtos para consumo. No caso do carnaval, a festa surge como um evento-espetáculo localizado no fluxo das redes midiáticas. Assumindo as noções de mediação cultural e do discurso das mídias, e a existência de uma ideologia de imperativo do gozo na sociedade contemporânea, debruçamo-nos sobre o Carnaval do Recife partindo de uma perspectiva žižekiana de crítica psicanalítica à ideologia e propomos o seguinte questionamento: como a cobertura jornalística do carnaval do Recife revela a operação do imperativo do gozo na mercadorização desta festa à luz dos discursos fundamentais lacanianos entre os anos de 1985 e 2015? Por meio de pesquisa qualitativa documental adotamos a Análise de Discurso Lacaniana na análise de 810 matérias jornalísticas distribuídas entre os anos de 1985, 1995, 2005 e 2015. A análise evidenciou mudanças ocorridas na configuração dos discursos lacanianos neste período. Os Discursos da Universidade e do Capitalista suportam uma apropriação da cultura como recurso a ser gerenciado e explorado. O Discurso da Histérica apresenta sujeitos histericizados diante do “Carnaval”, significante-mestre ao qual é necessário atribuir significado. O Discurso do Analista produz significantes sínteses da relação dos sujeitos com a festa enquanto objeto de desejo. Na passagem do Discurso do Mestre para o Discurso dos Mercados a Lei patriarcal cede lugar a uma Lei superegóica do gozo, na qual o mais-gozar interpela o sujeito de maneira desublimada, como gozo obsceno e intrusivo. Assim, a conversão da cultura carnavalesca em produto(s) está ligada ao funcionamento do Discurso dos Mercados do carnaval do Recife, permitindo que o mais-gozar seja incorporado por objetos a parciais que atuam no intuito de interpelar o sujeito-folião ininterruptamente. Limites da pesquisa e indicações de novos estudos são feitos ao final do trabalho