Perfil epidemiológico, clínico e laboratorial de pacientes com nefrite lúpica submetidos a transplante renal

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2017
Autor(a) principal: Albuquerque, Bruna Coelho
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://biblioteca.sophia.com.br/terminalri/9575/acervo/detalhe/113559
Resumo: Introdução: O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença autoimune, multissistêmica, caracterizada pela produção de autoanticorpos, deposição de imunocomplexos, inflamação sistêmica, além de dano tecidual. Cerca de 37% a 45% dos pacientes com LES, desenvolvem nefrite lúpica (NL) em algum momento do curso da doença. Uma proporção de 10 a 30% dos pacientes com NL evoluem para doença renal crônica (DRC), em um prazo de 15 anos após o diagnóstico, mesmo com o tratamento agressivo. Objetivo: Analisar o perfil sociodemográfico, clínico e laboratorial de pacientes com NL submetidos a transplante renal de um hospital público terciário. Detectar a recidiva do LES e o tempo de sobrevidas do enxerto renal e do paciente. Identificar o escore do índice de dano através dos critérios do Systemic Lupus International Collaborating Clinics (SLICC) em pacientes com LES. Comparar a sobrevida renal dos pacientes em estudo com outra pesquisa brasileira com o perfil clínico semelhante. Métodos: Foram analisados todos os registros de pacientes submetidos a transplante renal do período de Julho de 1996 a maio de 2016 no Hospital Geral de Fortaleza (HGF), centro de referência Norte Nordeste em transplantes. Destes, foram selecionados os de pacientes com diagnóstico de NL como causa de DRC terminal (n=35), que preenchiam critérios do Colégio Americano de Reumatologia (ACR). Resultados: De um total de 1.861 transplantes renais, 38 (1.8%) foram realizados em 35 pacientes com NL, 3 dos quais foram submetidos a mais de um transplante. A média de idade dos pacientes no diagnóstico do LES foi de 33,0 ± 11,1 anos. A maioria era do sexo feminino (94,7%) e não-caucasianos (68,4%). 57,9% foram submetidos à biópsia renal antes do transplante. A média do SLICC foi de 4,7 ± 1,2. A maioria dos doadores (71,1%) eram falecidos. A média do tempo do diagnóstico do LES até o transplante renal foi de 10,3 ± 6,4 anos. O tempo médio de diálise prévio ao transplante foi 3,9 ± 3,7 anos. A taxa de rejeição aguda, no primeiro ano, foi identificada em 7,9% dos pacientes. As sobrevidas do enxerto e do paciente foram respectivamente, 97,1% e 100% aos seis meses; 84,9% e 96,9%, no primeiro ano, e 73,3% e 92,5%, no quinto ano. 2,6% apresentou recidiva do LES. Comparando os pacientes que evoluíram com perda do enxerto e os que mantiveram boa função do enxerto, observamos uma maior prevalência de trombose (p=0,017) e síndrome antifosfolípide (p=0,036) no primeiro grupo. Conclusão: O estudo demonstrou que pacientes com NL submetidos a transplante renal apresentam uma boa sobrevida em um período de seguimento de 5 anos e que a presença de trombose e síndrome antifosfolípide foram fatores importantes para a perda do enxerto. Palavras-chave: Transplante de rim; Nefrite lúpica; Lúpus eritematoso sistêmico.