A poética da fluidez em O paciente inglês de Michael Ondaatje e O deus das pequenas coisas de Arundhati Roy
Ano de defesa: | 2009 |
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Autor(a) principal: | |
Orientador(a): | |
Banca de defesa: | |
Tipo de documento: | Tese |
Tipo de acesso: | Acesso aberto |
Idioma: | por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal de Minas Gerais
UFMG |
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: | |
Link de acesso: | http://hdl.handle.net/1843/ECAP-7QMG95 |
Resumo: | Esta tese analisa os romances 'O paciente inglês', de Michael Ondaatje, e 'O deus das pequenas coisas', de Arundhati Roy, em seus questionamentos de identidade nacional, no caso do romance de Ondaatje, e de gênero, no caso do romance de Roy, e teoriza uma 'poética da fluidez' por meio de um trabalho comparado com relação à linguagem e as imagens associadas a liquídos e fluidos. Em ambas as obras, o tempo e a organização textual são cíclicos; os espaços são múltiplos e desafiam as leis físicas; o questionamento de uma verdade histórica única é relacionado ao contar estórias e às leituras que os personagens fazem delas; o papel da memória é valorizado e histórias e estórias múltiplas são resgatadas. 'O paciente inglês' questiona noções de uma identidade nacional estável e valoriza a geografia do corpo, as vozes dos personagens e as memórias individuais, enfatizando a autodeterminação individual. O deus das pequenas coisas contesta caracterizações unitárias e cristalizadas de gênero e permite representações mais complexas e fluidas. A narrativa apresenta os personagens vinculados a imagens de fluidos e questiona a caracterísitca tradicionalmente relacionadas ao feminino ou ao masculino, valorizando a complexidade de suas caracterizações. Até mesmo os antagonistas são caracterizados de forma complexa. O romance reformula as possibilidades de representações de gênero, questiona qualquer noção de uma identidade estável e oferece imagens que são desestabilizadoras. A poética da fluidez discutida nesta tese questiona narrativas totalitárias e homogeneizantes. Em relação às possibilidades lingüísticas, esta poética destaca o caráter performativo da linguagem, as relações entre a língua, a ludicidade com as justaposições e elisões e apresentação textual dos dois romances em que as duas narrativas são em alguns momentos metamorfoseadas em varias outras. As várias folcalizações e os diferentes gêneros textuais apresentados são componentes de uma poética que valoriza as contribuições metalinguísticas que a própria literatura tem a oferecer ao fazer literário. O trabalho realizado com a linguagem se relaciona com a desestabilização da solidez de identidade dos personagens e a consideração de uma fluidez identitária que sofre, constantemente, processo de tentativa de solidificação e de desestabilização. Os efeitos de uma poética da fluidez, no caso de 'O paciente inglês' e 'O deus das pequenas coisas', são os questionamentos de nacionalidade e de gênero e, também, a sistematização de uma poética contemporânea que utiliza imagens e metáforas associadas a líquidos e fluidos para discutir esses questionamentos e propor uma teorização para possíveis leituras. |