Validação do teste de avaliação do letramento em saúde (TALES), um questionário brasileiro de avaliação de letramento em saúde

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2017
Autor(a) principal: Santos, Luanda Thais Mendonça lattes
Orientador(a): Bastos, Marcus Gomes lattes
Banca de defesa: Apolinário, Daniel lattes, Carthery-Goulart, Maria Teresa lattes, Fernandes, Natália da Silva lattes, Magalhães, Tânia Guedes
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-graduação em Saúde Brasileira
Departamento: Faculdade de Medicina
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/5452
Resumo: Letramento em Saúde (LS) é a capacidade de o paciente ler, obter e processar informações básicas sobre sua saúde a fim de tomar decisões pertinentes sobre autocuidado e se empoderar de sua condição clínica. Para tanto, precisa apresentar bons níveis de LS, uma vez que baixos níveis estão associados a desfechos clínicos negativos. Nesse intuito, avaliar LS torna-se essencial, portanto o objetivo deste trabalho foi criar e validar o primeiro instrumento brasileiro de avaliação de Letramento em Saúde – TALES – Teste de Avaliação de Letramento em Saúde. Para tanto, utilizou-se uma amostra composta de 1400 indivíduos, entre pacientes do SUS, alunos da Educação de Jovens e Adultos e de graduação. Foi elaborada uma Cartilha, contendo informações sobre Doença Renal Crônica utilizando técnicas linguísticas de facilitação de leitura. Após, foi confeccionado um banco de itens de 63 itens, englobando questões de habilidades numéricas e de compreensão de leitura, distribuídos em três níveis de letramento, baseados na Matriz de Referência do Indicador de Alfabetismo Funcional (INAF). Os itens foram aleatorizados, formando seis versões de instrumento, cada uma contendo 21 itens. Na calibração, cada versão foi respondida por 200 indivíduos, totalizando 400 respostas para cada item e 1200 respondentes. Utilizou-se, para avaliação de construto e dimensionalidade, a Análise Fatorial Confirmatória e, para as propriedades psicométricas dos itens, o modelo de Rasch de um parâmetro. As estimativas foram obtidas pelo Método de Máxima Verossimilhança Perfilada para se obter estimativas não enviesadas sob condições de falta de dados completamente ao acaso. Obtida a versão ótima, ou seja, aquela que apresentou as melhores propriedades psicométricas, foram confrontados os escores obtidos por essa versão com o Padrão Ouro, no caso, o INAF (Indicador de Alfabetismo Funcional). Nesta etapa, chamada validação de critério, foram aplicadas a versão final do TALES e o INAF em 200 pacientes. Os valores do Alpha de Cronbach e índices KMO foram sempre superiores a 0,85, evidenciando uma boa consistência interna e adequação da amostra para todas as versões. A Análise Fatorial Exploratória e a Análise Fatorial Confirmatória corroboraram a unidimensionalidade do instrumento. Foi ajustado um modelo de Rasch, de um parâmetro, indicando haver predominância de coeficientes de dificuldades negativos, ou seja, itens de baixa dificuldade. A correlação entre o percentual do INAF e o escore do TALES foi moderada (r=0,72). Contudo, ao correlacionarmos o escore do TALES com a proficiência do INAF, percebe-se uma forte correlação se avaliarmos indivíduos com ensino Fundamental Incompleto (r=0,79) e baixa renda (r=0,77), respectivamente. O TALES se mostrou um bom instrumento de rastreio para baixo LS, identificando, com eficácia, pacientes com risco potencial a desfechos clínicos negativos.