Em casa da tua mãe: gênero e parentesco entre os macuas de Moçambique durante o período colonial
Ano de defesa: | 2022 |
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Autor(a) principal: | |
Orientador(a): | |
Banca de defesa: | , |
Tipo de documento: | Dissertação |
Tipo de acesso: | Acesso aberto |
Idioma: | por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
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Programa de Pós-Graduação: |
Programa de Pós-graduação em História
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Departamento: |
ICH – Instituto de Ciências Humanas
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País: |
Brasil
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Palavras-chave em Português: | |
Área do conhecimento CNPq: | |
Link de acesso: | https://doi.org/10.34019/ufjf/di/2022/00162 https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/14411 |
Resumo: | Inspirado na crítica da socióloga nigeriana Oyèrónké Oyěwùmí às teorias de gênero ocidentais, o presente trabalho é uma tentativa de refletir sobre como trabalhar com o conceito de gênero no estudo do passado das sociedades falantes do emacua no norte de Moçambique. Por se tratar de sociedades majoritariamente matrilineares em um contexto social em que a islamização e difusão da cultura europeia promoviam a autoridade paterna, o trabalho se concentra na intersecção entre as relações de gênero e de parentesco, procurando compreender como estas estruturavam as relações de poder. Para isso, utiliza como fonte primária o livro Provérbios Macuas, publicado em 1982 pelo padre e missionário português Alexandre Valente de Matos. Além disso, é utilizado também o Dicionário Português-Macua, publicado em 1974 pelo mesmo autor. Seguindo a proposta metodológica da História Social de Ifi Amadiume, a pesquisa contrasta a obra de Matos com outros trabalhos etnográficos para analisar como o missionário representou a cultura e as instituições sociais macuas. Tendo sido um dos primeiros a registrar por escrito parte da tradição oral macua, Matos se colocou na posição de influenciar a forma como nós, no presente, acessamos e conhecemos o passado dessas populações. Por causa disso, a investigação foi capaz de identificar alguns desvios e contradições, sobretudo no que diz respeito à tradução das terminologias de parentesco e às dinâmicas de poder que caracterizam a matrilinhagem. Destes, o mais significativo foi o esforço para enquadrar as matrilinhagens macuas dentro do modelo nuclear de família, o que, por sua vez, produziu uma série de consequências para a forma como percebemos as relações de gênero. Por essa razão, a pesquisa também se aprofunda na crítica de Amadiume à forma como os conceitos de matriarcado e matrilinhagem foram historicamente trabalhados pela antropologia clássica e como isso influenciou Matos e os intelectuais de sua época. É com base nesse debate que o trabalho propõe a unidade matricêntrica de Ifi Amadiume como um modelo para pensar a organização das matrilinhagens macuas do passado. |