Currais, cangalhas e vapores: dinâmicas de fronteira e conformação das estruturas social e fundiária nos “Sertões da Borborema” (1780-1920).

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2016
Autor(a) principal: NUNES, Aldo Manoel Branquinho.
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Campina Grande
Brasil
Centro de Humanidades - CH
PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS
UFCG
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://dspace.sti.ufcg.edu.br:8080/jspui/handle/riufcg/1357
Resumo: Este trabalho teve como objetivo colocar novos elementos à teoria social ocupada em estudar o processo de ocupação e povoamento da área que foi denominada, ao longo do texto, de “Sertões da Borborema”, uma parte do semiárido brasileiro, formada pelas atuais microrregiões do Pajeú e Sertão do Moxotó, em Pernambuco e Cariri Ocidental e Serra do Teixeira, na Paraíba. Com um esforço empírico orientado por um enfoque de longa duração, procurou compreender os processos de conformação das estruturas agrária e social dessa área, entre o final do século XVIII e início do século XX, a partir do entendimento de que esse ambiente vivenciou, nesse período, dinâmicas de fronteira, especialmente, a partir do avanço do plantio de algodão que atraiu enormes contingentes de indivíduos e grupos familiares para se instalarem como proprietários de terra, o que promoveu, na passagem do século XIX para o XX, um processo consistente de crescimento populacional, surgimento de várias localidades e criação de vilas e novas cidades. Essa pesquisa vem confrontar uma visão bem consolidada, no campo da teoria social, que se baseia numa chave analítica que tem o latifúndio de origem sesmarial e a constituição da dita “civilização do couro” como centrais e determinantes no processo de ocupação e povoamento do interior nordestino, que sedimentou a imagem, por vezes depreciativa, do semiárido como o lugar por excelência do latifúndio, herança necessária do processo de concessão de sesmarias às famílias de elite de origem lusitana. Com uma ferramenta que combinou pesquisa documental, história oral e de vida, foi possível construir um quadro explicativo que elucidou, não só o processo de substituição da antiga elite agrária de origem sesmarial, por uma nova elite de origem muito variada, mas que tinha o plantio, comércio e processamento do algodão como atividades centrais, mas também foi possível compreender processos de mudança que permitiram a inserção de famílias pobres ao mundo social dos proprietários de terra e como, em algumas áreas mais, em outras menos, ocorreu mesmo uma mudança no padrão fundiário, com o predomínio da pequena propriedade. Foi direcionada atenção às famílias que, chegando aos “Sertões da Borborema”, entre os séculos XIX e XX, tornaram-se proprietárias de terras que antes tinham sido fruto de concessão sesmarial. Foi dado enfoque à trajetória social dessas famílias e aos processos de mudança que protagonizaram.