Espetáculo inconveniente para qualquer horário: a censura e a recepção das telenovelas na ditadura militar brasileira (1970-1980)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2016
Autor(a) principal: Silva, Thiago de Sales
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/18947
Resumo: A presente pesquisa propõe-se a analisar o período da Ditadura Civil-Militar pós-64 no Brasil, lançando um olhar sobre o advento da televisão como veículo de comunicação de massa e sua relação com um público que ainda se constituía como telespectador ao longo da década de 1970. É nesse momento em que o Estado passa a investir acentuadamente na construção e solidificação da indústria cultural do país, apostando no processo de integração nacional através, dentre outras coisas, da popularização dos veículos televisivos. Por outro lado, a constituição do aparato censório integra o conjunto de ações repressivas que deram sustentação ao funcionamento do regime, tornando as programações da TV objetos privilegiados de intervenção. Discutimos, portanto, a natureza conservadora desta modernização através da censura às telenovelas, programa que se torna uma das produções mais lucrativas e renomadas da TV desde então. Nesse sentido, debruçamo-nos sobre os processos de censura das telenovelas, objetivando compreender a materialidade dessa massa documental, suas transformações, bem como os elementos motivadores da ação censória. Além disso, analisando um conjunto de cartas encaminhadas ao órgão de censura, buscamos compreender o processo de recepção à televisão por parte destes missivistas. Tais correspondências, enviadas por pais e mães de família, entidades cívicas e grupos religiosos, evidenciam uma forte preocupação dos missivistas com relação às questões relativas à moral e aos “bons costumes” nos conteúdos abordados pelas telenovelas exibidas na época. Constituindo-se como um problema, a televisão aparece nessas cartas como uma ameaça, que precisa ser vigiada e regulada, corroborando, inclusive, com a proposta de atuação da censura naquele momento de exceção.