O riso diabólico residual n’As Pelejas de Ojuara: o homem que desafiou o diabo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2011
Autor(a) principal: Gomes, Carolina de Aquino
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: http://www.teses.ufc.br:
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/2908
Resumo: O presente estudo, vinculado à linha de pesquisa Literatura Regional, tem como objetivos verificar como a Idade Média pensava o riso relacionado ao pecado e ao Diabo, e investigar a remanescência dessa mentalidade e de crenças populares medievais no romance As Pelejas de Ojuara: o homem que desafiou o Diabo, de Nei Leandro de Castro, e na literatura popular contemporânea em verso. Para identificarmos como o imaginário e a mentalidade medieval, no tocante às crenças no Inferno e no Diabo, estão presentes em forma de resíduos na cultura popular nordestina representada no romance, utilizamos o arcabouço teórico-metodológico da Teoria da Residualidade, desenvolvido por Roberto Pontes. Esse método investigativo está certificado junto à Universidade Federal do Ceará e ao Diretório de Pesquisa do CNPq, sob o título Estudos de Residualidade Cultural e Literária, e vem sendo aplicado e desenvolvido em diversos trabalhos acadêmicos, como: teses, dissertações, artigos publicados em periódicos, palestras e comunicações orais. O sistematizador da Teoria da Residualidade aponta quatro conceitos essenciais para a sua compreensão, a partir do grau de relevância que cada definição exerce dentro da teoria. São eles, respectivamente: residualidade, cristalização, mentalidade e hibridismo cultural, os quais nos ajudaram a compreender como o riso é relacionado ao Diabo atualmente através da literatura popular em verso e em obras da literatura erudita que se baseiam em preceitos populares, como é o caso de As Pelejas de Ojuara: o homem que desafiou o Diabo. Este trabalho divide-se em três momentos: o primeiro, no qual discorremos sobre a origem do Mal e a do Diabo, como se deu a formação da imagem do Demônio desde a Antiguidade Clássica e sua consolidação na Idade Média; em seguida, a representação do Diabo no imaginário sertanejo nordestino, com base nas crenças populares representadas no romance, ressaltando o hibridismo cultural que envolve essa entidade diabólica; e, por fim, verificamos a derrisão e o escarnecimento do Diabo, pois o riso é utilizado como arma contra o medo do Inferno e do Demônio, através do cômico, do grotesco e do obsceno. Para essa análise destacamos aspectos referentes ao Diabo na Bíblia Sagrada, em documentos e em estudos históricos e culturais a respeito das crenças populares europeias medievais e nordestinas contemporâneas, assim como há em cordéis do Ciclo do Demônio Logrado, representações pictóricas do Príncipe das Trevas e estudos relacionados ao riso na Idade Média, no Renascimento e na contemporaneidade. Compreende-se a presença de resíduos culturais dos valores e crenças europeias medievais no universo do sertanejo nordestino, principalmente do norte-rio-grandense, a fim de tornar evidente a hibridação cultural que percebemos na leitura do romance de Nei Leandro de Castro.