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Paisagem e linguagem em translatinidade: representações do patrimônio cultural nordestino como arte latino-americana

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Aguiar, Jacquicilane Honorio de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/75048
Resumo: As representações simbólicas que compõem a paisagem patrimonial latino-americana formam um emaranhado com múltiplas peças que compõem a latinidade, foco de interesse desta pesquisa. A partir da leitura da geografia cultural, considerando os conceitos de paisagem (DUNCAN, 2004), memória (RICOEUR, 2007) e identidade (CANCLINI, 2006), busca-se questionar de que forma as dinâmicas patrimoniais formam fluxos paisagísticos da latinidade em curso no Brasil. Porém, para além dos elos identitários estabelecidos no nível das nacionalidades em torno da latinidade, com projeções limitadas, considera-se como foco a regionalidade nordestina, na busca por arranjos que promovam uma translatinidade plural, por meio dos movimentos vanguardistas. Assim, a pesquisa tem como objetivo compreender as representações do patrimônio cultural do Nordeste como arte latino americana, através da paisagem artística e da translatinidade. Para tanto, a pesquisa utiliza uma abordagem qualitativa e documental, dividindo-se em duas partes: a primeira analisa a dimensão topológica/material, considerando a Fundação Memorial da América Latina - FMAL como “ilha” patrimonial, enquanto equipamento pioneiro no processo de irradiação das identidades latino-americanas no Brasil, refletindo os ideais modernistas. Na segunda parte, buscamos a identificação de um grande arquipélago simbólico intangível de diferentes linguagens que nos ajuda a refletir sobre a alteridentidade (OLIVEIRA, 2015) no imaginário Nordestino, composto por músicos, literatos, teatrólogos, e demais artistas que estão na vanguarda da produção artística. O Nordeste é eminentemente celeiro de interdependência e interação com a ideia de autenticidade brasileira, transbordando-a para o restante do país por meio de movimentos artísticos que contrapõem a identidade hegemônica nacional, como o Movimento Armorial e o Massafeira Livre. Para pensar exemplificações mais locais, escolheu-se: a) O Movimento cultural Massafeira livre no Ceará; b) A influência identitária e musical do Ilê Aiyê na Bahia; c) A multidisciplinaridade do Movimento Armorial Pernambucano. Essa segunda etapa está amparada na linguagem artística diante de uma leitura possível por meio de Bakhtin (1997), tanto no conceito de dialogismo, na condição do sentido de um discurso, como na carnavalização das manifestações culturais, onde é possível refletir acerca de uma estética carnavalesca. E ainda, na própria relação desta linguagem nas abordagens que possibilitam a construção dos elementos da paisagem enquanto texto a ser explorado por meio das artes (DUNCAN, 2004; COSGROVE, 2012). A busca dessa interrelação ajuda-nos a assimilar construções de latinidade menos artificiais e tradicionalistas, que caminhem na articulação de uma translatinidade plural, diante do potencial nordestino enquanto formador cultural. A necessidade de se pensar essa translatinidade diversificada vem na contramão do que pode ser observado no FMAL: a projeção de uma identidade latina dentro das cristalizações e cotas mínimas representativas, diante da fragilidade no processo de construção desses vínculos identitários.