Cartas a Davi

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Fernandes, Cristina Araripe lattes
Orientador(a): Costa, Suzane Lima lattes
Banca de defesa: Oliveira, Sayonara Amaral de lattes, Branco, Lúcia Castello lattes, Nogueira, Mônica Celeida Rabelo lattes, Damião, Carla Milani lattes, Dutra, Mara Vanessa Fonseca lattes, Souza, Carla Dameane Pereira de
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal da Bahia
Programa de Pós-Graduação: Pós-Graduação em Literatura e Cultura (PPGLITCULT) 
Departamento: Instituto de Letras
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41567
Resumo: Nesta tese, que atravessa toda a pandemia da Covid-19, sustento a existência de uma íntima relação entre T/terra e palavra. O confinamento compulsório, somado ao projeto genocida posto em curso no período de 2016-2022, aproximou indígenas e não indígenas nos espaços virtuais, inaugurando interlocuções sobre uma diversidade de cosmovisões. Com o forte desejo de alargar a conversa com o mundofloresta (LE GUIN, 2020), adentro o livro-cartafloresta A queda do céu: palavras de um xamã Yanomami (KOPENAWA; ALBERT, 2015) para escutar o que são e podem as palavras do xamã no tempo da mercadoria e da cafetinagem da vida (ROLNIK, 2018). Com base no pressuposto teórico de ficar com o problema e fazer parentescos (HARAWAY, 2023), organizo este trabalho em três seções. Seção I – Cartas-Thë ã oni (palavras escritas), quando performo um exercício com os termos <palavrimagem, protopalavra e T/terrapalavra>, composições encontradas na vivência da pesquisa. Seção II – Cartas-Heãmuu (marcar presença por um som), momento em que enceno um canto de leitura com as palavras do xamã; Seção III – Cartas-Utupa pë (pensamento sem palavras), quando delineio imageticamente meu processo de aproximação aos desenhos do xamã. O método consistiu em passar para o lado da natureza (LLANSOL, 2020) e viver o tremor da experiência (LARROSA, 2014), deixando-me afetar pelo encontro com as palavras do xamã e chegar ao pajebó, a gira afroindígena para a cura das palavras. Por fim, as aproximações vividas com as palavras escritas, o canto e os desenhos do xamã, inspiraram desdobramentos no contínuo projeto de leitura crítica para um Brasil livre de colonialismos.