O trabalho de Assistentes Sociais no Instituto Nacional do Seguro Social em tempos de “INSS Digital”

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Moraes, Flávia Lopes de lattes
Orientador(a): Bastos, Cristiana Mercuri de Almeida lattes
Banca de defesa: Bastos, Cristiana Mercuri de Almeida lattes, Semêdo, Ana Claudia Caldas Mendonça lattes, Senes, Stella Maria Leal Bastos lattes
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal da Bahia
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Serviço Social
Departamento: Instituto de Psicologia
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41501
Resumo: Este estudo envida esforços na direção de investigar quais foram as implicações das transformações ocorridas após a implantação do “INSS Digital” para o trabalho desenvolvido por assistentes sociais nas Agências de Previdência Social (APS) da Gerência Executiva de Salvador-BA (GEXSAL), do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As transformações estruturais mais recentes, ocorridas no âmbito do Instituto, embora não possam ser exclusivamente atribuídas ao “INSS Digital”, estão resultando em um novo paradigma para o acesso aos direitos e a execução do trabalho na instituição, em que a digitalização e a informatização dos processos ocupam um papel central. Considera-se a implementação do “INSS Digital” como um marco histórico que delimita o objeto de pesquisa, sem, no entanto, reduzir a complexidade dos processos envolvidos e dos impactos sociais do contexto sócio histórico no qual nasce esse novo paradigma. No atual cenário do capitalismo, em que o mundo do trabalho tem passado por mudanças significativas, incorporando cada vez mais as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), travessado pelo cenário de pandemia de Covid-19, que acelerou a adoção e o uso dessas tecnologias na dinâmica do trabalho, impulsionando processos de digitalização e teletrabalho, globalmente. Assim, tornou-se latente compreender como a dinâmica institucional se adapta às estruturas macroeconômicas em constante mudança e os impactos dessa nova realidade para as(os) profissionais e usuários(as). A partir de uma pesquisa de caráter qualitativo e abordagem exploratória, que articula pesquisa empírica e levantamento bibliográfico, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com seis Analistas do Seguro Social com formação em Serviço Social, que atuam como assistentes sociais na Gerência Executiva Salvador, em diferentes APS da GEXSAL. Os resultados revelaram desafios significativos enfrentados pelas(os) assistentes sociais, que vão desde a intensificação do trabalho até a desigualdade de acesso aos direitos sociais pelos(as) usuários(as). A digitalização dos serviços impôs novas barreiras à população, transferindo responsabilidades para os(as) usuários(as), que frequentemente se veem sem os recursos necessários para acessar seus direitos. As dificuldades de acesso às ferramentas digitais, somadas à escassez de recursos financeiros e tecnológicos, tornam-se obstáculos muitas vezes intransponíveis, levando parte da população a recorrer a serviços pagos para garantir o acesso aos seus direitos. Além disso, a implementação do sistema de pontuação e metas rígidas impôs um ritmo de trabalho exaustivo, afetando a saúde física e mental das(os) trabalhadoras(es), ao mesmo tempo em que precarizou as condições de atendimento. Diante desse cenário, os achados da pesquisa contribuem para o debate sobre os impactos da digitalização para o trabalho profissional e na garantia de direitos, evidenciando a necessidade de repensarmos estratégias coletivas que assegurem os direitos sociais, para além das dimensões institucionais.