Investigando o entendimento sobre densidade à luz da noção de Perfil Epistemológico e do Autoconceito em Química

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Melo, Viviane Florentino de
Orientador(a): Neiva, Amanda Amantes
Banca de defesa: Messeder Neto, Hélio, Silva, José Luis de Paula Barros, Giordan, Marcelo, Souza Filho, Moacir Pereira
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Faculdade de Educação
Programa de Pós-Graduação: Programa de pós-graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: http://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/32568
Resumo: Neste trabalho apresentamos uma pesquisa que visa contribuir para o entendimento acerca da apropriação de conceitos científicos por parte de estudantes de ensino médio a partir de duas lentes: a noção do perfil epistemológico e o constructo do autoconceito em química. Utilizamos a noção do perfil epistemológico para abarcar todas as facetas do conceito científico de densidade abordado nesse nível de ensino. Essa perspectiva conceitua as maneiras por meio das quais os indivíduos compreendem e lidam com a realidade. O perfil epistemológico é composto por “zonas” distintas, de modo que cada uma das diferentes zonas representa uma forma peculiar de compreender e lidar com o mundo. O constructo do autoconceito diz respeito à percepção que o indivíduo tem sobre suas capacidades diante do conteúdo, relaciona-se diretamente com expectativas de motivação. Para esse estudo foram construídas e validadas três ferramentas distintas: duas referentes ao conceito de densidade e uma ao autoconceito em química. No que se refere ao conceito de densidade, construímos um sistema categórico que delimita níveis de complexidade em cada zona do perfil, sendo essa uma ferramenta de análise; e um teste em três camadas construído para atender às zonas definidas teoricamente, uma ferramenta de coleta. Concernente ao autoconceito em química, foi construída e validada uma escala para o contexto de estudo. O processo de validação evidenciou que a escala de autoconceito é descrita por três facetas distintas: desempenho, interesse e engajamento cognitivo. Nossos resultados indicam que os estudantes concluem o ensino médio sem consolidar conhecimentos referentes ao conteúdo de densidade de acordo com o parâmetro curricular. Nessa via, alertamos para uma formação em nível médio que não promove no sujeito a superação do senso comum, tampouco o instrumenta com elementos teóricos para compreender situações empíricas. No que diz respeito aos autoconceitos em química, em um grupo de estudantes não foi encontrada correlação entre suas proficiências no teste sobre densidade e seus valores de autoconceito descritos pelas facetas. Em outro grupo, houve uma correlação negativa moderada (-0,6) entre a faceta de desempenho e as medidas de proficiência no teste. Argumentamos que a percepção equivocada desse grupo de estudantes possa ser explicada devido ao grupo de referência, que diz respeito aos pares com os quais os estudantes se comparam em seu contexto. A partir desse resultado, questionamos o impacto da atual abordagem dos conteúdos da disciplina de química, em geral e, de densidade especificamente, em termos do nível de complexidade do entendimento alcançado pelos estudantes da amostra. Para além dos resultados citados, consideramos também que nosso trabalho contribui nas perspectivas acadêmica, docente e curricular. Na primeira, no que se refere à metodologia empregada; na segunda, com a construção de instrumentos que podem ser utilizados para o diagnóstico de perfil dos estudantes; na última, uma vez que o levantamento do perfil epistemológico de densidade dos estudantes ajuda a entender em que medida os objetivos curriculares para o ensino desse conceito são alcançados. As contribuições mencionadas podem trazer implicações para o tipo de abordagem, estratégia de ensino e a própria discussão sobre a adequação dos conteúdos no nível de escolaridade investigado.