Ariano Suassuna e a indústria cultural: interfaces entre o Movimento Armorial e a crítica filosófica da Escola de Frankfurt

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Correia, Raique Lucas de Jesus lattes
Orientador(a): Jesus, Daiane Batista de lattes
Banca de defesa: Jesus, Daiane Batista de lattes, Cordeiro, Hildália Fernandes Cunha lattes, Menezes, José Euclimar Xavier de lattes
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal da Bahia
Programa de Pós-Graduação: Coleções por área do conhecimento
Departamento: Escola de Administração
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41364
Resumo: Em um cenário marcado pela crescente globalização e pela imposição de uma cultura massificada pela chamada Indústria Cultural, as expressões autênticas das culturas locais, como as nossas tradições populares, são cada vez mais marginalizadas e substituídas por produtos culturais padronizados, desvinculados das raízes históricas e identitárias do nosso povo. Nesse contexto, o presente trabalho busca analisar de que forma o Movimento Armorial, idealizado por Ariano Suassuna na década de 1970, atuou como um movimento de resistência à mercantilização e homogeneização cultural promovidas pela Indústria Cultural, traçando paralelos com a crítica filosófica da Escola de Frankfurt, notadamente a partir dos trabalhos de Theodor Adorno e Max Horkheimer sobre esse tema. Metodologicamente, optou-se por uma pesquisa de natureza qualitativa com abordagem exploratória, fundamentada no método hipotético-dedutivo. Para a coleta de dados, foram utilizadas técnicas de revisão bibliográfica e análise documental. O trabalho está divido em um percurso que contempla três blocos principais de análise. Inicialmente, buscou-se apresentar um breve apanhado histórico das raízes do Movimento Armorial, desde sua criação na década de 1970 até as fases recentes, discutindo também alguns conceitos fundantes como as categorias de “arte erudita” e “arte popular”. A segunda parte aborda teoricamente as noções de Indústria Cultural e cultura de massa sob a perspectiva crítica da Escola de Frankfurt. A terceira seção explora possíveis convergências entre o Movimento Armorial e a crítica frankfurtiana, enfatizando a dimensão político-estética do Movimento Armorial sobre a Indústria Cultural, fundamentado em diversos materiais recolhidos, como o “Projeto Cultural Pernambuco – Brasil”, elaborado por Suassuna e outros colaborados quando da sua gestão como secretário de Cultura do estado de Pernambuco. Por fim, conclui-se reafirmando a importância da Escola de Frankfurt como primeira corrente crítica a sistematizar uma Teoria da Indústria Cultural, demarcando a atualidade do tema e a necessidade, como proposto aqui com base no Movimento Armorial, de analisar essas questões a partir da realidade local e dos desafios particulares dos países do chamado “Terceiro Mundo” ou de “capitalismo periférico”, como é o caso do Brasil e dos povos latino-americanos. Também aí, a centralidade da defesa da “identidade nacional” como pressuposto de uma radicalidade libertária e de autoafirmação revolucionária na luta contra as formas ideológicas e modernas do “imperialismo cultural globalizado”, reconhecendo na atuação de Ariano Suassuna e nas bandeiras levantadas pelo Movimento Armorial um importante marco na construção de um programa estético, de um discurso político e de uma prática cultural voltados à preservação das nossas tradições populares como forma de resistência aos processos de massificação e dominação cultural.