Balançaê, eja! É para já – dança em ênfase sistêmica na educação de jovens e adultos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Pugliese, Luciane Sarmento lattes
Orientador(a): Rengel, Lenira Peral
Banca de defesa: Rengel, Lenira Peral, Pinto, Amanda da Silva, Katz, Helena, Moura, Gilsamara, Rocha, Lucas Valentim
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal da Bahia
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Dança (PPGDANCA)
Departamento: Escola de Dança
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
EJA
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41056
Resumo: Ao longo de muitos anos venho pesquisando e atuando como professora e pesquisadora do campo da Dança em múltiplos contextos educacionais e, recorrentemente, tenho me mobilizado para compreender e provocar transformações nas relações entre Dança e Escola, que continuam pautadas sob lógicas que não contemplam a complexidade do corpo que produz Dança. Desta maneira, esta tese procurou refletir sobre essas relações a partir da minha prática em programas e projetos de Ensino de Dança nas redes públicas de ensino, em especial os realizados no Colégio Social de Portão, nas Escolas Municipais José Calazans, Lélis Piedade, Anjos de Rua, Sebastião Dias e Campinas de Pirajá, esta na modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA), na cidade de Salvador. Pensando em contribuir para novas abordagens no ensino e percepção de Dança na Escola, a proposta desta tese foi investigar a aplicação de ações que possibilitassem a conexão entre o sistema Dança e outros sistemas inerentes às instituições de ensino. Utilizei-me também, como ponto de partida para a construção das indagações, a minha atuação como professora de Artes (2014/15) em Escola Estadual, no projeto Arte no currículo, que articulava ensino, pesquisa e extensão, um convênio entre a UFBA e a Secretaria Municipal de Educação de Salvador (2015-2016), junto ao Programa Trânsitos: Experiências artísticas como processo de aprendizagem (PROEXT-MEC/UBFA/DANÇA, 2016). A opção metodológica para a pesquisa foi uma análise dessas experiências na correlação com abordagens teóricas que me permitiram pensar o ensino e a percepção da Dança na Escola a partir das teorias sobre sistemas, que possibilitaram a compreensão da Dança e Escola como sistemas abertos coimplicados, submetidos a condições de não-equilíbrio, que estão permanentemente sujeitos à crise. Esta constatação foi basilar para propor ações de Dança organizadas de modo sistêmico; a Dança sistêmica, como estratégia para articular Dança e Escola tecida a partir da lógica da complexidade. Esta abordagem torna possível propor a atualização de informações relacionadas a corpo, espaço, movimento que têm como objetivo desabituar memes como: “quem dança não pensa”, “dança é coisa para meninas”, “vacilou dançou”, “dança é para desanuviar as tensões dos/as estudantes”, “para que dança na escola”? A Dança sistêmica, portanto, foi o recurso utilizado para pensar a reorganização dos modos relacionais entre Ensino de Dança e Escola, principalmente ao propor ações tecidas a partir da lógica do entre; ao produzir experiências de recognição entre os sistemas implicados DançaEscola; ao conectar novos jeitos, agenciamentos, percepções que desestabilizassem verdades absolutas e criassem porosidades nas relações tão embrutecidas. Pude concluir que as ações propostas ocorrem em um campo de contradições e ambiguidades que exigem a criação de novos modos de relação em reformulação contínua. Ações sistêmicas na Escola são, portanto, caminhos desafiadores para a percepção da complexidade dos saberes-fazeres de todos e exigem um intercâmbio efetivo entre a escola-professores/as, alunos/as, merendeiras, porteiros, funcionários/as e os demais profissionais envolvidos.