Misofonia em estudantes, professores e técnicos em uma universidade pública brasileira

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Valente, Julia de Souza Pinto lattes
Orientador(a): Alves, Crésio de Aragão Dantas lattes
Banca de defesa: Alves, Crésio de Aragão Dantas lattes, Lago, Mara Renata Rissatto lattes, Silva, Carlos Alberto Lima da lattes, Lopes, Marcia Silva lattes, Andrade, Caio Leônidas Oliveira de lattes
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal da Bahia
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Processos Interativos dos Órgãos e Sistemas (PPGORGSISTEM) 
Departamento: Instituto de Ciências da Saúde - ICS
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41465
Resumo: Introdução: A misofonia é uma condição crônica, neurofisiológica e comportamental, na qual os indivíduos apresentam reações desagradáveis a sons específicos, de natureza humana ou não humana. A maioria dos estudos sobre misofonia aborda sua relação com o transtorno obsessivo compulsivo. A relação entre queixas auditivas e transtornos mentais, como ansiedade e depressão em pessoas com misofonia, não é clara e sua investigação é incipiente. Objetivo: Investigar os sintomas auditivos e de ansiedade e depressão em indivíduos com misofonia autorrelatada. Material e Métodos: Estudo de caráter quantitativo, observacional, descritivo e de delineamento seccional, sem grupo comparação, realizado com alunos, professores e técnicos de um instituto de uma universidade pública. A coleta de dados foi realizada de forma virtual, utilizando-se formulário confeccionado na plataforma Google Forms e disponibilizado aos participantes via e-mail, no período de junho a dezembro de 2022. O formulário apresentou perguntas referentes aos sintomas de misofonia a partir da Lista de Triagem para Misofonia e da Escala de Misofonia de Amsterdam. Além disso, investigaram-se queixas auditivas, sons-gatilho e ansiedade e depressão, utilizando-se a Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão. Os dados foram analisados por estatística descritiva e as associações realizadas por meio do teste Qui-Quadrado de independência. Resultados: O primeiro artigo abordou a epidemiologia da misofonia e caracterizou os sons-gatilhos. Foi observada associação estatíticamente significante entre a misofonia e o gênero feminino (p= 0,039), idosos (p= 0,042), estudantes (p= 0,005) e classe social mais baixa (p=0,032). A partir da Lista de Triagem para misofonia, 22,8 (47 indivíduos) apresentavam misofonia. Já segundo a escada de Amstedam, 54,9% (113 indíviduos) tinham misofonia, sendo o grau leve o mais frequentes. Os sons-gatilhos de origem humana foram relatados por 43,4% dos indivíduos com misofonia, os não humanos por 41,6% e ambos os tipos por 15,0%. O segundo artigo investigou queixas auditivas e os sintomas de ansiedade e indivíduos com misofonia. Encontrou-se a misofonia associada à perda auditiva (p=0,020), zumbido (p=0,004), incômodo a sons intensos (0,010) e ansiedade (0,011). Indivíduos com misofonia e incômodo a sons intensos apresentam sons de intensidade elevada como sons-gatilhos. Conclusão: Os resultados do presente estudo revelam elevada ocorrência de misofonia, sendo maior com o uso da Escala de Amsterdam, quando comparada à Lista de Triagem para Misofonia. Os sons-gatilhos são variados, podendo ser ou não de origem humana. A misofonia apresenta associação com a hipoacusia, o zumbido, o incômodo a sons intensos e a ansiedade. Estudos adicionais devem ser conduzidos com o intuito de aprimorar os instrumentos de diagnóstico da mosofonia, refletindo na reabilitação dessa condição