Relações de sangue e afinidade: violência sexual, família e parentesco na Amazônia

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Lima, Natã Souza
Outros Autores: http://lattes.cnpq.br/9453763546080509
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal do Amazonas
Instituto de Ciências Humanas e Letras
Brasil
UFAM
Programa de Pós-graduação em Antropologia Social
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://tede.ufam.edu.br/handle/tede/9294
Resumo: Esta tese é resultado de uma trajetória de pesquisa que passa pela experiência prática, pelas demandas do momento social, por reflexões e incômodos teóricos em torno de violências sexuais, família e parentesco na Amazônia. Tomando como ponto de partida argumentativo as diferenças de resolução entre casos de violências sexuais, sobretudo contra crianças e adolescentes em contextos amazônicos, reflito sobre as motivações em torno de linchamentos de agressores sexuais externos às famílias, em contraponto aos movimentos para proteção de agressores por seus familiares, em casos de estupros contra parentes. Os casos de estupro em família se apresentam como fio condutor para a compreensão dos diferentes significados de “família” e “moralidades” entre homens, mulheres e crianças da Amazônia. Num esforço complementar, o cruzamento entre as chamadas “violências sexuais intrafamiliares” e teorias sobre incesto e parentesco, permitem a aproximação crítica entre os conceitos de “estupro” e “incesto” na teoria antropológica. A partir das críticas de Schneider e de autoras feministas sobre o parentesco, a tese segue o argumento de que a teoria antropológica sobre o parentesco esvaziou a noção de incesto das dimensões de violência que carrega em diferentes sociedades. Num segundo movimento, a tese busca compreender as repercussões das experiências coloniais e desenvolvimentistas na Amazônia sobre violências sexuais que atravessam diferentes gerações de uma mesma família, apontando que a multiplicidade de casos de violência sexual em diferentes gerações, não está atrelada às transmissões individuais de um parente sobre outro, mas por dimensões históricas e coletivas sobre como o parentesco foi marcado e reelaborado por estupros em projetos de assimilação, seja por rapto ou por casamentos forçados. Por fim, a tese busca relacionar os desdobramentos coloniais aos atos de governar, que produzem o desgaste das políticas de enfrentamento às violências sexuais, e passam a corroborar com a falsa ideia de que a família é o espaço privilegiado de proteção contra as violências sexuais.