Cogumelos da Amazônia como fonte de protease para aplicação na indústria de queijo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2017
Autor(a) principal: Martim, Salomão Rocha
Outros Autores: http://lattes.cnpq.br/5261765826336828
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal do Amazonas
Instituto de Ciências Biológicas
Brasil
UFAM
Programa de Pós-graduação em Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal - BIONORTE
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://tede.ufam.edu.br/handle/tede/5897
Resumo: O aumento da produção mundial de queijos, a escassez do coalho animal e a rejeição de proteases geneticamente modificadas, incentiva a busca por novas fontes de coagulantes do leite. Dentre os fungos, os cogumelos têm se destacado como fonte alternativa de peptidases coagulantes para aplicação na indústria de laticínios. Esta pesquisa teve como objetivo avaliar a síntese de proteases por seis cogumelos do acervo da Coleção de Culturas DPUA para selecionar uma espécie produtora de coagulante com características físico-químicas para elaboração de queijo. A fermentação em meio líquido foi realizada em GYP [(20 g de glicose, 5 g de extrato de levedura, 15 g de peptona/1000 mL de água)], com 0,5 % de gelatina (p/v). O macrofungo produtor de proteases com elevada razão coagulante, em meio líquido, foi cultivado em resíduos lignocelulósicos amazônicos: serragem de angelim, exocarpos de cupuaçu e tucumã, engaço de banana e semente de açaí, suplementados com farelo de arroz. As atividades proteolítica e coagulante foram determinadas utilizando como substratos azocaseína 1% (p/v) e leite desnatado em pó a 10% (p/v), respectivamente. Os parâmetros que influenciam a produção de coagulantes (pH do meio de cultivo, tempo de fermentação, tamanho e idade do inóculo) foram avaliados. O coagulante foi caracterizado quanto ao pH e temperatura ótimos, estabilidade ao pH e à temperatura, e efeito de íons metálicos e inibidores. A citotoxicidade do coagulante foi avaliada em fibroblastos humanos MRC-5. No queijo elaborado com o coagulante foi determinada a composição centesimal e a microbiológica. Na fermentação submersa, Pleurotus albidus foi o produtor significativo de proteases (34,00 U/mL) e a síntese dessas enzimas foi estimulada pela idade (10 dias) e volume do inóculo (5%, p/v). As proteases mostraram atividade ótima em pH 5 a 60°C, estabilidade em pH (5-8), temperatura de 30°C até 60°C, sendo classificadas como cisteíno e serinoproteases. O coagulante de Pleurotus albidus expressou razão coagulante de 21,60 com máxima atividade a 60 °C, pH 6. Ácido iodoacético inibiu significativamente a atividade coagulante, sugerindo maior quantitativo de cisteínoproteases. As enzimas de Pleurotus albidus não apresentaram toxicidade contra fibroblastos humanos (MRC5). Em matriz sólida, Pleurotus albidus cultivado em semente de açaí e farelo de arroz (90:10, p/p) produziu protease com elevada razão coagulante (14,58), formação de soro abundante e forte coagulação. As condições ideais para produção do coagulante foram: inóculo (10 dias de idade), meio de cultivo pH 6, tamanho do inóculo (2,5%, p/v) e idade do inóculo 10 dias. O coagulante exibiu máxima atividade em pH 5, a 55 °C, com estabilidade até 45 °C, sendo inibido por ácido iodoacético. O quejo elaborado apresentou umidade (55%), lipídios (20%), proteínas (18%) e atendeu aos padrões microbiológicos exigidos pela legislação brasileira. Pleurotus albidus é uma fonte de coagulante que pode ser aplicada na indústria de laticinios, em especial na fabricação de queijo.