Importância epidemiológica de cobras-corais (Elapidae: Micrurus) na Amazônia brasileira
Ano de defesa: | 2022 |
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Autor(a) principal: | |
Outros Autores: | |
Orientador(a): | |
Banca de defesa: | |
Tipo de documento: | Tese |
Tipo de acesso: | Acesso aberto |
Idioma: | por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal do Amazonas
Instituto de Ciências Biológicas Brasil UFAM Programa de Pós-graduação em Zoologia |
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: | |
Link de acesso: | https://tede.ufam.edu.br/handle/tede/9035 |
Resumo: | Na Amazônia Brasileira, o conhecimento dos envenenamentos de humanos por cobras-corais é restrito a poucos relatos de casos, alguns deles pouco detalhados. A maior parte das informações disponíveis para o Brasil vem das regiões Nordeste e Sudeste, mais populosas e com maior número de centros de pesquisa e de registros de acidentes. Nesse contexto, esta tese investigou a importância epidemiológica das cobras-corais (Micrurus spp.) na região amazônica, explorando ao longo de quatro capítulos aspectos relacionados à frequência dos acidentes, às principais espécies causadoras, os principais sintomas reportados nos casos, e quais áreas são mais propícias ao aparecimento deste grupo e aos acidentes causados por ele. No primeiro capítulo observamos uma baixa frequência e incidência nos acidentes elapídicos. Dor, edema e parestesia foram os sintomas mais comuns. Sintomas sistêmicos geralmente não associados a envenenamentos por cobras corais, como coagulopatia e trombocitopenia, têm sido relatados na Amazônia. O soro tem sido usado de maneira incorreta, e recomendamos a execução de programas educativos para evitar tais acidentes e ensinar tanto o público em geral quanto os profissionais de saúde o tratamento correto para as picadas. Sugerimos também melhoria na cobertura das Unidades de Terapia Intensiva na região. No segundo capítulo, descobrimos que cinco espécies foram envolvidas nos acidentes na região de Manaus, sendo Micrurus lemniscatus a responsável pelo maior número de casos. Não houve diferença entre os sexos das cobras que causaram as picadas, e os pacientes eram em sua maioria do sexo masculino. A maioria dos casos foi relatada em áreas urbanas e na estação seca, e houve uma clara segregação geográfica entre as espécies. Descrevemos sete casos de envenenamento. Parestesia, dor e edema foram os sintomas locais mais comuns. Características sistêmicas mais comuns foram dispneia, ptose palpebral, visão turva, disartria e dificuldade para andar. Os envenenamentos por cobras corais na região de Manaus são clinicamente graves, porém raros e esparsamente distribuídos ao longo do tempo, tornando a detecção de padrões epidemiológicos e clínicos um desafio para a saúde pública. No terceiro capítulo foram relatados dois casos de acidentes por M. hemprichii envolvendo duas pacientes, nos quais devido à confusão na identificação da serpente e risco de agravamento de caso, discutimos a importância de se identificar corretamente serpentes de acidentes ofídicos no contexto de atendimento hospitalar. No quarto capítulo, utilizamos modelagem de distribuição de espécies de cobras-corais na Amazônia, em conjunto com dados de acidentes elapídicos, para avaliar possíveis áreas de risco na região. Concluímos que todo o bioma apresenta alta adequação ambiental para a ocorrência de cobras-corais, e que tal adequabilidade explica pouco sobre a incidência de acidentes na região. Isso provavelmente se deve à baixa densidade humana na Amazônia, mas também às características da cobra coral como hábitos crípticos. Diferentemente de outras espécies de serpentes de importância médica, o cenário ecológico e epidemiológico das picadas de cobras-corais impede a detecção de áreas geográficas importantes de preocupação e exige uma disponibilidade ampla e equitativa de centros de saúde em toda a Amazônia. |