Ensaios sobre psicanálise, instituições e luta de classes no campo da Saúde Mental Coletiva

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: Périco, Waldir
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Educação e Humanidades::Instituto de Psicologia
Brasil
UERJ
Programa de Pós-Graduação em Psicanálise
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/18764
Resumo: A nossa experiência de uma década é o palco da produção desta tese. Apresentamos quatro ensaios sobre a clínica e a política no campo da Saúde Mental Coletiva à luz da psicanálise de Freud e Lacan, do materialismo histórico de Marx e de alguns subsídios da análise institucional. Basicamente, essas referências teórico-práticas deram corpo às Reformas Psiquiátricas pelo mundo que, salvo exceções, foram experiências que não abalaram a estrutura do Paradigma Psiquiátrico Hospitalocêntrico Medicalizador. Disso inferimos que esse paradigma dominante, derivado do Modo de Produção Capitalista, também busca constantemente reformar-se para manter sua hegemonia em face das mudanças sociais. Por esse motivo, partimos da análise paradigmática da Saúde Mental proposta por Costa-Rosa, que delimita quatro parâmetros analíticos que servem de “guias para a ação/reflexão” dos trabalhadores que buscam suplantar o Paradigma Psiquiátrico tendo o Paradigma Psicossocial no horizonte ético. Concebendo a Reforma Psiquiátrica como um estágio das transformações, o primeiro ensaio apresenta a análise paradigmática e propõe a necessidade de ir além das reformas com a condição de servir-se delas. A conjuntura de retrocessos nas políticas públicas no Brasil pós-golpe de Estado de 2016 evidencia a relevância da teorização de Marx sobre o Estado, a ideologia, a luta de classes e o método dialético. O segundo ensaio discute o fato do Paradigma Psicossocial exigir a superação dos especialismos profissionais e a formação trabalhadores de Saúde Mental de um novo tipo. Situando o estatuto transdisciplinar da psicanálise e do materialismo histórico, diferencia os trabalhadores-disciplinares do Paradigma Psiquiátrico dos trabalhadores-intercessores caracterizados pela capacidade de suspender o exercício do saber-poder, para que os sujeitos do tratamento se tornem protagonistas. O terceiro ensaio aborda a experiência de quatro anos de implantação de grupos de recepção em um Ambulatório de Saúde Mental, destacando os movimentos institucionais, o choque de visões paradigmáticas e as resistências a esse processo. A superação da triagem medicalizadora e a ampliação das ofertas de tratamentos pela fala conseguiram reduzir substancialmente as filas de espera e a medicalização. O quarto ensaio, partindo da clínica, trata das inovações na psicanálise para a escuta nos dispositivos coletivos de recepção e de tratamento, problematizando uma forma de coletividade que não desconsidere o singular e vice-versa. Também aborda o acréscimo de privações que recai sobre as classes proletárias e as potencialidades e limites do tratamento psicanalítico com esses sujeitos.