"A morte é a perda da palavra": repensando a alfabetização bilíngue a partir das reflexões de professores guarani das escolas indígenas de Maricá, Rio de Janeiro

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Fernandes, Gabriela Nunes
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Educação e Humanidades::Faculdade de Educação da Baixada Fluminense
Brasil
UERJ
Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Comunicação
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/19669
Resumo: Este trabalho pretende se aproximar das reflexões e práticas de professores Guarani que atuam na alfabetização bilíngue Guarani Mbyá no Rio de Janeiro através do projeto de extensão “Ações de valorização e acompanhamento escolar das aldeias Guarani do município de Maricá”, promovido pela Universidade Federal Fluminense. Tendo como marco referencial as perspectivas decoloniais acionamos, metodologicamente, a análise de conteúdo (BARDIN, 1977), para analisar as experiências de alfabetização bilíngue de dois professores Guarani Mbyá que atuam nas escolas do Rio de Janeiro. Na análise dos depoimentos, é possível perceber duas características que contextualizam as práticas pedagógicas dos professores indígenas: a cultura guarani, o modo de pensar, e o nhandereko; e a relação com a sociedade envolvente. A tensão evidencia-se à medida que os professores provocam “deslocamentos gnoseológicos” priorizando o pensamento guarani que trazem, por exemplo, noções de “contagem” e “medidas” com base em valores não ocidentais. Outro aspecto encontrado nas práticas pedagógicas dos professores indígenas é a superação da dicotomia colonial entre oral e escrito, visto que, os professores utilizam textos de domínio oral, como a canção sagrada “Tangará Mirim”, como recurso durante o aprendizado da língua escrita. Há também uma importância especial que envolve o nome nas práticas pedagógicas de alfabetização bilíngue, uma vez que, o conhecimento sobre o nome na cultura guarani é sagrado e tem relação com nhandereko. Nas entrelinhas, nos avisam que para romper com o epistemicídio, linguicídio, e a racionalidade, é preciso garantir autonomia na construção da escola mbyá.