Violência entre parceiros íntimos na percepção de jovens das minorias sexuais

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: Matta, Thenessi Freitas
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro Biomédico::Faculdade de Ciências Médicas
Brasil
UERJ
Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/19553
Resumo: A população de indivíduos que não se enquadram no padrão heteronormativo da sociedade como lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) está exposta a diferentes tipos de violências advindas, principalmente, do preconceito e rejeição social. Outro tipo de violência que se destaca é a violência entre parceiros íntimos (VPI). A desigualdade de gênero está na raiz da VPI e pode levar a consequências como isolamento social até suicídios e homicídios. Pouco se conhece sobre a VPI entre jovens das minorias sexuais. O objetivo deste estudo foi compreender a percepção que jovens LGBT têm sobre VPI. A pesquisa teve abordagem qualitativa e foi realizada por meio de entrevista semiestruturada com 16 jovens das minorias sexuais de 18 a 30 anos nos campi de duas universidades públicas do estado do Rio de Janeiro. O roteiro continha dados sociodemográficos e questões sobre VPI. As entrevistas foram gravadas e transcritas. A análise foi realizada com o apoio do software webQDA através dos seguintes passos: leitura e releitura dos dados, recorte do texto conforme categorias, identificação dos sentidos atribuídos pelos sujeitos às questões, diálogo comparativo com a literatura, e interpretação com contextualização histórica e sociocultural. Originaram-se quatro categorias: 1- Tipificação do que é percebido como violência no relacionamento íntimo, a magnitude de sua ocorrência e os fatores que a influenciam; 2- Desigualdades geradoras de violência nas relações homoafetivas; 3- Homofobias implícitas e explícitas percebidas no ambiente universitário; 4- Reconhecimento e enfrentamento da VPI. Constatou-se que a VPI dentre as minorias sexuais é percebida de maneira acanhada pelos envolvidos, apesar de todos os entrevistados terem vivenciado ou conhecerem alguém que passou por algum episódio de VPI. A dificuldade em se reconhecer dentro de um relacionamento abusivo foi reiterada pela maioria. A desigualdade de gênero foi a mais explicitada no que concerne às motivações para gerar VPI, não deixando ausentes outras inequidades, como o poder aquisitivo e a escolaridade. O ambiente universitário foi visto como mais acolhedor do que o meio social, mas ainda existindo LGBTfobia. Segundo os participantes, a instituição de ensino não oferece suporte a vítimas de VPI. Amigos e família são os primeiros a serem contatados em busca de apoio nos casos de violência. O setor saúde foi adotado como a segunda opção. Os entrevistados sugerem medidas que podem ser implementadas tanto no setor saúde quanto no ambiente universitário, como atendimento psicológico e grupos de conversa. Conclui-se que jovens das minorias sexuais passam por episódios de VPI com o agravante de sobreposição de vitimizações pela homofobia e a maior dificuldade de receber apoio. Os resultados deste estudo podem servir de subsídios à formulação e aperfeiçoamento de políticas públicas e programas de enfrentamento à VPI de jovens e população LGBT; assim como contribuir para a redução da invisibilidade desta realidade e fomentar a formulação de hipóteses para futuros estudos.