Literatura enquanto lugar de memória e decolonização do imaginário : análise do romance "Terra sonâmbula", de Mia Couto

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Araújo, Mikaela Soares Cardoso de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual de Goiás
UEG ::Coordenação de Mestrado em Língua, Literatura e Interculturalidade
Brasil
UEG
Programa de Pós-Graduação Strito sensu em Língua, Literatura e Interculturalidade (POSLLI)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.bdtd.ueg.br/handle/tede/1252
Resumo: O presente estudo tem por objetivo analisar as contribuições dos lugares de memória na literatura enquanto decolonização do imaginário e como a memória e o espaço influenciam na reconstrução indentitária das personagens ficcionais. E, ainda, apontar quais são os meios que levam as personagens a crise de identidade no decorrer da narrativa em uma análise do romance Terra Sonâmbula, de Mia Couto. Trata-se de uma pesquisa de cunho bibliográfico em que se contrapõe o referencial teórico, dentre os quais destacam-se: Achille Mbembe (2014), Aleida Assmann (2016), Aníbal Quijano (2015), Benedict Anderson (2008), Ecléa Bosi (1994), Joel Candau (2002), Gaston Bachelard (1974), Gilbert Durand (1989), Maurice Halbwachs (2006), Marc Augé (2003), Pierre Nora (1993) e Stuart Hall (2006) com uma análise do romance Terra Sonâmbula, de Mia Couto. O texto narra uma trajetória marcada pela colonização e por uma guerra civil que se faz presente no cenário de Moçambique, que após dez anos de guerra, em 1975, conquista sua independência de Portugal. Entretanto, a guerra manteve-se até o ano de 1992. Os vestígios de sofrimento do ponto de vista das personagens que representam a população são retratados nas produções literárias moçambicanas, as quais estão constantemente relacionadas a sua cultura, buscando valorizar o testemunho do sujeito subalternizado. O objeto de análise apresenta personagens que se encontram em um estado de transitoriedade, condição que a fuga da guerra proporcionou, resultando em identidades fragmentadas. Dessa forma, a análise aponta a influência do lugar e do espaço para a reconstrução identitária e como os lugares de memória contribuem para a resignação identitária dessas personagens e, ainda, o texto ficcional é utilizado enquanto ferramenta de decolonização do pensamento do colonizador por meio dos discursos decoloniais que buscam dar voz ao discurso do subalterno exaltando suas crenças, costumes e tradições. A pesquisa se resulta em como, a colonização e a guerra civil contribuíram para a formação de sujeitos fragmentados, assim como a escrita se torna o meio mais eficiente dos lugares de memória e a relevância da preservação do discurso dos nativos que vivenciaram a opressão, elementos necessários para a restauração identitária de uma nação.