Condições de trabalho em Escolas de Tempo Integral de ensino fundamental II em Fortaleza: o que declaram gestores e professores

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: BARROS, ELAINNY PATRÍCIA LIMA
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual do Ceará
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Link de acesso: https://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=113575
Resumo: Constituindo-se como política pública educacional iniciada em 2013 através do Decreto n.º 13.263, as primeiras Escolas de Tempo Integral (ETIs) de Fortaleza foram inauguradas em 2014, perfazendo um total de seis unidades situadas nos seguintes bairros: Granja Lisboa, Barra do Ceará, Bonsucesso, José de Alencar, Jardim América e São João do Tauape. Tais unidades de ensino apresentam grande vulnerabilidade social. O público beneficiário consistiu de alunos de 6.º a 9.º ano do ensino fundamental, etapa da educação básica gerida pela Prefeitura Municipal de Fortaleza (PMF). Diante do crescente aumento no número desse perfil de escola na capital, a pesquisa presente tem como objetivo investigar o olhar sobre as condições de trabalho de seis docentes e dois gestores escolares que atuam em duas escolas municipais de tempo integral de Fortaleza, no ano de 2023, situadas em diferentes bairros com IDH-b considerados muito baixos. A metodologia empregada foi de natureza aplicada, abrangendo prioritariamente a abordagem qualitativa, de caráter explicativo. Quanto aos procedimentos técnicos, a pesquisa é classificada como estudo de campo, por meio de entrevistas semiestruturadas, sendo estas tratadas por meio da análise de conteúdo de Bardin (2016), que naturalmente requerem aproximação entre sujeito e objeto, não havendo, assim, tendência à neutralidade no que se refere aos fatos sociais, buscando compreender as subjetividades humanas no campo educacional. Em cada instituição, a amostra foi composta por um gestor escolar e três professores, sendo um de cada uma das três áreas de conhecimento: Linguagens e Códigos; Ciências da Natureza e Matemática; Ciências Humanas, que assinaram TCLE concordando com a participação no estudo. A pesquisa passou por apreciação e aprovação do comitê de ética. Metade dos professores afirma que foi capacitada pela SME para compreender as rotinas pedagógicas das ETIs. Segundo seus depoimentos, o órgão prioriza as áreas específicas de português e de matemática. A infraestrutura física foi considerada muito boa em uma das escolas, e a outra estava passando por reforma; os profissionais disseram-se satisfeitos com o acesso a materiais didático-pedagógicos, apesar da falta de alguns livros didáticos; a maioria dos docentes não considera que possui espaço adequado para descanso, assim como a maior parte muitas vezes não consegue realizar suas tarefas dentro dos prazos estipulados; poucos realizam tarefas que não são de suas responsabilidades e a maioria considera que não deve haver remuneração diferenciada para professores que atuam em escolas regulares e de tempo integral. As gestoras escolares consideram que as temáticas das formações para gestores pouco contribuem para os contextos escolares em que estão inseridas; ambas consideram que a exclusão do Projeto Professor Diretor de Turma (PPDT) da rotina pedagógica da ETI aumentou sua sobrecarga de trabalho. Elas executam tarefas que não são da sua função. Na visão delas, os recursos financeiros nas ETIs deveriam ser dobrados de valor, pois os alunos permanecem por dois turnos de jornada escolar, e as boas relações estabelecidas entre elas e os pais, os professores e os funcionários implicam piores ou melhores condições de trabalho. Pode-se constatar que as condições de trabalho enfrentadas por docentes e gestores de escolas de tempo integral assemelham-se àquelas vividas por agentes educacionais em todo o país, no entanto, possuem singularidades que afetam especialmente esse modelo de ensino. Desse modo, parte do contributo deste estudo trata-se de trazer reflexões a respeito dos resultados para que assim seja possível aperfeiçoar essa política pública.