Tornar-se escritora: abordagem discursiva das representações sociais de mulheres negras sobre a Escrita como movimento de autoinscrição no mundo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Silva, Ametista De Pinho Nogueira
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual do Ceará
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Link de acesso: https://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=113403
Resumo: Respiração. Dor. Espiral. Inevitabilidade. Água. Descoberta. Sustento. Contradição. Sofrimento. Paixão. Portal. Vida. Humanidade. Provocação. Refúgio. Companhia. Meditação. Salvação. Esses são alguns dos significados que permeiam o conteúdo simbólico das representações sociais de mulheres negras sobre a Escrita, objeto de pesquisa desta tese, que tem como objetivo geral analisar as representações sociais que escritoras negras constroem, discursivamente, sobre a Escrita enquanto objeto de representação e, como objetivos específicos, descrever as facetas temática-identificacional e argumentativa-atitudinal de tais representações. Destaque-se que esta tese pode ser lida como um retrato discursivo da experiência subjetiva de mulheres negras com a palavra, observados aspectos ao mesmo tempo discursivos, sociais e psicológicos que marcam um lugar de escrita. A convergência de tais aspectos na análise foi possível por meio de uma interface teórico-metodológica estabelecida entre Linguística Aplicada, lugar epistemológico do qual enuncio, e a Psicologia Social, lugar epistemológico com o qual dialogo, resultando esse encontro no que tem se configurado como uma Abordagem Discursiva das Representações Sociais (ADRS). Para acessar as representações sociais de escritoras negras sobre o objeto Escrita, recorri, em termos metodológicos, a uma pesquisa centrada em sujeitos (Kilomba, 2019), a partir da qual estabeleci uma aproximação etnográfico-discursiva (Magalhães; Martins; Resende, 2017) com cinco mulheres negras escritoras, todas residentes na cidade de Fortaleza-CE. Os encontros ocorreram em diferentes lugares da cidade, com coleta de material discursivo, por meio de entrevistas e registro de artefatos culturais. Considerando diálogos transdisciplinares estabelecidos e tendo como base teórico-metodológica da pesquisa ADRS, duas categorias analíticas foram construídas na análise dos dados: a faceta temáticoidentificacional, que tem como aporte teórico-metodológico um diálogo entre estudos sobre themata (Moscovici, 2007) e os estudos sobre significados do discurso (Fairclough, 2003); e a faceta argumentativo-atitudinal, que tem como aporte teórico-metodológico estudos retóricos sobre argumentação (Perelman; Tyteca, 1996; Menezes, 2011; Fiorin, 2018) e estudos sobre Atitude (Doise, 2001, 2010). Considerando, ainda, a complexidade cognitiva, social e discursiva que atravessa a experiência subjetiva de mulheres negras com a palavra, os estudos sobre literatura e cultura (hooks, 2019; Cuti, 2010; Anzaldúa, 2000), racismo estrutural (Almeida, 2019), feminismo decolonial (Vergès, 2020) e interseccionalidade (Crenshaw, 2002; Akotirene, 2018) foram algumas das discussões teóricas que fundamentaram o processo de análise do objeto estudado. Os resultados da pesquisa apontaram para a pluralidade de significações e implicações subjetivas que permeiam a construção de representações sociais de mulheres negras sobre o objeto de representação Escrita: elaborações poéticas e metafóricas, aproximação e distanciamento de questões raciais na escrita, o receio e potência da autonomeção como escritoras, singularidades, diferenças, vivências plurais marcam, discursivamente, as Representações Sociais (RS) das participantes desta pesquisa sobre a Escrita.