Direito à cidade como lugar de Festa: afetos engajados no Parque Augusta, em São Paulo/SP, e no Parque em Rede Pedra de Xangô, em Salvador/BA

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Nicola, Alexandra de lattes
Orientador(a): Oliveira, Liana Silvia de Viveiros e lattes
Banca de defesa: Jesus, Liliane Vasconcelos de lattes, Cruz, Leandro de Sousa
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Católica do Salvador
Programa de Pós-Graduação: Planejamento Territorial e Desenvolvimento Social
Departamento: Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://ri.ucsal.br/handle/prefix/4789
Resumo: Este trabalho de pesquisa aborda o direito à cidade na dimensão de Festa, conforme concebe Henri Lefebvre (2001), sendo a cidade construída por descontinuidades e rupturas, por convergências e divergências de grupos que rivalizam seu amor por ela na disputa de agendas que transitam entre seu valor de uso e o valor de troca. A Festa, com letra maiúscula, assim como a coloca o autor, implica no uso, fruição e apropriação da cidade em sua plenitude que assim proporciona relações afetivas e políticas nas práticas culturais, como expressão de vida urbana. E a festa, aqui, é estratégia de luta e resistência em defesa de espaços públicos para o encontro, lazer, contemplação, práticas religiosas, preservação de valores materiais e simbólicos e disputa política: a festa para a Festa. Como um grande laboratório, as cidades de São Paulo/SP e Salvador/BA ofereceram dois casos de movimentos de luta e resistência que transformaram espaços privado e público em parques municipais - Parque Augusta e Parque em Rede Pedra de Xangô, respectivamente -, demonstrando que o direito à cidade em tempos atuais coloca imperativos de reforma urbana muito além da demanda por moradia e serviços urbanos. A pesquisa traz um recorte de como se deram os engajamentos afetivos e políticos para as conquistas dos espaços públicos, tendo por referencial teórico central a noção de afeto de Lawrence Grossberg (2012), força constitutiva de articular desejos e articuladora de forças transformadoras. Por meio de pesquisa bibliográfica e entrevistas, foram elaborados mapas de importância e de afetos para entender o que mobilizou os atores ao engajamento. A mobilização social é aqui apresentada pela teoria de José Bernardo Toro (2005), entrelaçada pela discussão de racionalidade e emoções de Humberto Maturana (1997). Por fim, os movimentos de luta e resistência e as disputas evidenciadas são discutidos pela perspectiva de Viveiros (2020) por eixos transversais que trazem o direito à cidade na relação entre escalas e de mútua constituição da sociedade civil e do Estado a partir das interações, articulações, convergências, divergências e conflitos. Esse olhar ainda ocorre por meio de categorias que analisam a formação e a articulação dos agentes; a construção de princípios éticos políticos e a formação de identidades coletivas; das arenas e disputas de agendas; e a disputa de léxico na política urbana. Os resultados mostram que o imaginário comum de um parque 100% verde, sem prédios, e da superação do racismo e da intolerância religiosa com um espaço sagrado afro-brasileiro sendo tombado e preservado, se tornaram realidade por meio da articulação de afetos e desejos de atores que, por sua vez, os colocaram em articulação com a ordem próxima e a distante, exercendo seus direitos à cidade e à Festa.