A reforma trabalhista e as mudanças no trabalho de uma organização em gestão de saúde: uma análise psicodinâmica

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: Batista, Tiago de Jesus
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Pontifícia Universidade Católica de Goiás
Escola de Ciências Sociais e da Saúde
Brasil
PUC Goiás
Programa de Pós-Graduação STRICTO SENSU em Psicologia
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://tede2.pucgoias.edu.br:8080/handle/tede/5170
Resumo: Este trabalho teve por objetivo analisar as vivências dos trabalhadores administrativos de uma organização de gestão em saúde localizada na região Centro-Oeste do Brasil, em relação aos impactos em seu trabalho a partir da reforma trabalhista em vigor desde novembro de 2017. Trata-se de um estudo de caso de caráter descritivo exploratório envolvendo dez trabalhadores administrativos. A coleta de dados foi realizada através de análise documental e entrevistas individuais. Os dados foram analisados utilizando-se a análise clínica do trabalho. Os resultados foram apresentados em formato de três artigos. Artigo 1 intitulado "Os impactos da reforma trabalhista nas relações de trabalho: uma revisão bibliográfica". O propósito foi apresentar os resultados a partir do levantamento bibliográfico que abordou os efeitos e as perspectivas da reforma trabalhista após a implementação da Lei nº. 13.467/2017, optou-se por investigar os artigos nacionais publicados no Portal de Periódicos CAPES/MEC. Os resultados indicam que em tais artigos estudados priorizam-se fatores que envolvem as novas relações de trabalho e o novo funcionamento do mercado de trabalho após a aprovação da reforma trabalhista. O artigo 2, intitulado "Os impactos da Reforma Trabalhista na Organização do Trabalho", fez uma análise dos efeitos da reforma trabalhista na organização do trabalho, um dos elementos centrais para a psicodinâmica do trabalho. Os resultados apresentam que há critérios diferentes na organização para distribuição de máquinas e equipamentos e o acesso a eles. Os efeitos dessa nova organização do trabalho, após a reforma trabalhista, contribuíram significativamente com o processo de precarização no trabalho, cooperou expressivamente com a vulnerabilidade social, colocando em risco as condições de trabalho. A insegurança, o medo do desemprego e a sobrecarga de trabalho são constantes nos trabalhadores da organização, haja vista que as contratações realizadas pela organização são através do modelo de pessoa jurídica. Por fim, o Artigo 3, intitulado "As vivências dos trabalhadores de uma empresa de gestão em saúde a partir da reforma trabalhista", buscou compreender os aspectos psíquicos que são mobilizados pelos trabalhadores a partir das novas relações de trabalho, identificando as vivências de prazer e sofrimento no trabalho e as estratégias de defesa. As vivências de prazer são experienciadas pelos participantes através da presença de autonomia relativa para desenvolver as tarefas com liberdade principalmente vinculada ao poder de agir livremente. Dentre os resultados prevalecem as vivências de sofrimento oriundas da sobrecarga nos trabalhadores, impactando sua saúde mental. Trata-se de uma violência à saúde mental do trabalhador relacionada à pressão por resultados, invasão na vida privada, interferindo na vida social e familiar. Foi detectado o uso da racionalização como estratégia de defesa como forma encontrada por eles para lidar com o sofrimento advindo da constatação das perdas dos direitos trabalhistas e da falta de acesso à seguridade social, decorrentes desse processo de "pejotização". Apesar da submissão aparentemente ser a curto prazo para manutenção do emprego, isso não promoveu entre os trabalhadores uma mobilização para uma ação transformadora, visto que as condições que agravam o sofrimento permanecem na organização