Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2024 |
Autor(a) principal: |
Incerpe, Patrícia Regina Bueno |
Orientador(a): |
Cury, Vera Engler |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Tese
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas)
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
http://repositorio.sis.puc-campinas.edu.br/xmlui/handle/123456789/17525
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Resumo: |
O abuso sexual está entre as quatro maiores causas de denúncias de violações de direitos humanos contra crianças e adolescentes no Brasil, sendo as vítimas, em sua maioria, do gênero feminino. Ademais, é considerado um importante fator de risco para o desenvolvimento de patologias que afetam a saúde física, psicológica, sexual e social na vida adulta. Destacam-se as repercussões negativas para a saúde mental, como sentimentos de vergonha, culpa, humilhação, desamparo e ambivalência ao longo do desenvolvimento. Este estudo objetivou compreender fenomenologicamente a experiência vivida de mulheres sobre o abuso sexual sofrido na infância ou adolescência. Trata-se de uma pesquisa qualitativa de natureza exploratória, metodologicamente orientada pelos pressupostos da fenomenologia clássica, desenvolvida pelo filósofo alemão Edmund Husserl. Foram realizados encontros dialógicos individuais presenciais com cada uma das seis participantes, mulheres cisgênero com idades entre 21 e 40 anos, com duração média de duas horas. Uma questão norteadora foi apresentada pela pesquisadora ao iniciar cada encontro: “Estou interessada em conversar com mulheres que sofreram abuso sexual no passado. Você pode me contar sobre a sua experiência e como se sente atualmente?” Após cada encontro, a pesquisadora construiu uma narrativa compreensiva a partir das suas impressões, sentimentos e ideias sobre a experiência compartilhada pela participante. Concluídas as narrativas compreensivas, foi elaborada uma narrativa síntese contendo os principais elementos que estruturam o fenômeno em foco, cuja compreensão psicológica ancorou-se nas proposições da fenomenologia clássica de Edmund Husserl e de seus colaboradores e em pesquisas atuais sobre o tema. Emergiram os seguintes elementos estruturantes: (1) o passado, carregado de sofrimento, se entrelaça ao presente e interfere na expectativa sobre o futuro; (2) o corpo invadido permanece simbolicamente marcado com cicatrizes indeléveis; (3) os sentimentos de culpa, raiva, solidão e desamparo constituem um sofrimento perene com impacto sobre os relacionamentos afetivos, inclusive em relação à figura materna; (4) “Quem me tornei após o abuso vivido?” repercute na vida adulta em relação ao processo de simbolização do self; e (5) o encontro dialógico possibilitou uma forma de cuidado e trouxe esperança em relação a poderem ajudar outras mulheres. Esses resultados visibilizam um tipo de sofrimento psicológico que impacta negativamente o desenvolvimento e a vida das pessoas, trazendo subsídios para a atuação de profissionais da área da saúde, em especial de psicólogos. Enfatiza-se a necessidade de intervenções psicológicas voltadas a acolher vivências de abuso sexual nos diversos contextos institucionais, de forma a possibilitar o desencadear de um processo de reintegração da personalidade em direção a uma elaboração saudável face a violência sofrida precocemente. |