Identificação molecular de porcine circovirus 3 (pcv3) em bovinos e em javalis no Brasil

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: COSTA, Carine Machado Rodrigues da
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.pgsskroton.com//handle/123456789/48093
Resumo: Circovírus suíno 3 (PCV3) foi descoberto em 2016 em suínos doentes nos Estados Unidos da América e desde então novos casos vem sendo relatados em diversas partes do mundo. PCV3 tem sido associado a doenças graves em suínos bem como falhas reprodutivas. Embora seja um vírus que acometa principalmente suínos domésticos, já existem relatos de detecção em outras espécies, em especial javalis (Sus scrofa) e bovinos. No Brasil, PCV3 foi detectado por meio de estudos retrospectivos a partir de amostra de suínos desde 1967 e em javalis desde 2013. Neste estudo, analisamos a presença de PCV3 em 467 amostras de DNA de linfonodos respiratórios de bovinos do Mato Grosso (MT) e 18 amostras de DNA de sangue de javalis de Mato Grosso, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O PCV3 foi detectado, através da técnica de PCR em tempo real em 3% (14/467) das amostras coletadas a partir de bovinos de diferentes regiões do estado do MT no ano de 2009, sendo esta a primeira detecção da circulação de PCV3 em bovinos do Brasil. O PCV3 também foi detectado em 27,7% (5/18) das amostras de javalis, todos provenientes do estado de Santa Catarina, região Sul do Brasil. Destas, quatro amostras tiveram sua ORF2 sequenciada e a partir destes dados foi construída a árvore filogenética com outras 55 sequências de PCV3 depositadas na base de dados do Centro Nacional de Informação Biotecnológica (NCBI), advindas da América do Sul, América do Norte, Europa e Ásia. As quatro sequências do estudo estavam diretamente alinhadas com sequências de PCV3 provenientes da Europa, demonstrando uma forte relação de filogenia e possível origem. A análise das sequências demonstrou identidade genética de 98,60% a 99,53% entre as cepas de PCV3 de javalis, sendo que nenhuma cepa foi idêntica a outra. Mesmo sendo bem similares, as sequências preditas das quatro amostras apresentaram polimorfismos em alguns aminoácidos, onde estas mutações podem representar modificações no fenótipo viral. Outra análise filogenética foi realizada com 17 sequências de PCV3 de suínos domésticos e selvagens do Brasil, as quatro sequências do estudo demostraram proximidade genética com um isolado de PCV3 de javali do Rio Grande do Sul e com um isolado de PCV3 de suíno doméstico sem localidade definida, reforçando os achados de circulação do vírus na região sul do país, em ambiente rural e silvestre. Foram encontrados também alguns sítios de polimorfismos estruturais no capsídeo do PCV3 a partir das sequencias deste trabalho e algumas dessas mutações podem impactar na constituição dos epítopos e refletir nas respostas imunes frente ao PCV3. Os achados deste estudo reforçam a transmissão do PCV3 em hospedeiros além do suíno doméstico, sendo esta a primeira identificação de PCV3 em bovinos no Brasil. As análises de diversidade genética viral realizadas neste trabalho pode fornecer dados importantes para o conhecimento da evolução do vírus e subsidiar futuras pesquisas de vacinas e métodos de diagnóstico.