Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2012 |
Autor(a) principal: |
Kullok, Alcione Tavora |
Orientador(a): |
Minayo, Maria Cecília de Souza |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Tese
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Instituto Fernandes Figueira
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Link de acesso: |
https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/8038
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Resumo: |
O envelhecimento é um processo universal e o crescimento da população idosa tem chamado a atenção de diferentes setores da sociedade com repercussões sócio-econômicas em nível individual e coletivo. No Brasil, onde os dados censitários revelam uma crescente urbanização do país e um componente de mulheres idosas cada vez maiores em relação aos homens, esse estudo propôs a abordar os processos do envelhecimento das mulheres em dois campos de discussão: o envelhecimento na perspectiva de gênero e a condição rural. O estudo não tem a pretensão do produzir uma analise cultural totalizante, mas de conhecer e registrar as histórias dessas idosas, num contexto rural, muitas vezes esquecido-se da sociedade e do poder público. A metodologia utilizada foi a etnografia, ou seja, fui viver, conviver e registrar os fatos do cotidiano e seus significados através da reinterpretação de 27 idosas com idades acima de sessenta anos até 92 anos. Através de observações participantes, participantes observações, entrevistas, grupos de “causos”, pude tomar ciência de que, embora pareça uma tendência da sociedade atual homogeneizar os espaços geográficos descaracterizando-os de suas referências naturais, e (re) caracterizando-os com referências produtivas e econômicas, as culturas locais permanecem. O Distrito de Caratinga, denominado Dom Modesto onde o trabalho etnográfico foi realizado, mantém suas particularidades e muitas vezes pude senti-las como um processo contra-hegemônico das tendências massificantes: trata-se de um espaço bastante fechado e com seus códigos próprios. Em muitos momentos senti-me excluída, não por ser uma pesquisadora, mas por não ser nativa: foi difícil o processo de imersão nesse terreno distante de minha vida social. Lá, as terras são vendidas entre os familiares. Como em toda a sociedade, o contexto estudado possui uma estratificação social e geográfica, as fazendeiras idosas moram nos Córregos e as ex-ajudantes ou meeiras, no núcleo do Distrito (vila). Todas as idosas participantes professam o catolicismo. Pude comparar suas histórias com o que diz o meu acervo bibliográfico, e dentro do contexto estudado, encontrei certas idosas como verdadeiras protagonistas de algumas obras literárias. Observei a quase inexistência das grades etárias e os acontecimentos demarcados por elas como uma linha da vida quase seqüencial. Pude visualizar e rever traços de paradigmas da Antiguidade que ainda persistem em imutável e infindável repetição e desigualdades perenes e naturalizadas da divisão sexual do trabalho tanto nos processos de produção como de reprodução dessas mulheres rurais. Pude ver um rural decadente na monocultura do café e o seu renascimento na horticultura familiar. Mas pude constatar também que as idosas participantes estão todas ativas, não com o vigor da juventude, mas cada uma com sua particularidade e em seu tempo, não se consideram velhas. Os vocábulos “idoso” e “terceira idade” nesse contexto não são muito reconhecidos, pois são palavras utilizadas pelo povo da rua[cidade]. Já o termo “véia [velha]” não é visto como uma conotação pejorativa e sim como uma etapa natural da vida. As construções e reconstruções sociais, a todo o momento estiveram presentes nesse estudo, numa circularidade dinâmica em que as idosas não temem e nem vêem a morte como um fim, mas como uma passagem. Mas nem por isso a desejam. Esperam e pedem a Deus mais alguns anos de vida, porém com independência e autonomia, pois sua perda sim, é considerada a morte em vida. |